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Nova edição do Comunica PET!

Edição especial da Semana da Comunicação 2013

Premiação do Intercom Manaus

Unesp de Bauru ganha prêmios em categorias de produtos no Intercom 2013

Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

Mais uma parceria inédita na Secom 2013

Parceria entre Secom e interdesigners

Dois eventos terão atividades conjuntas durante a Semana da Comunicação 2013

Projeto Morrinho

Projeto dismistifica a visão da favela como um lugar somente de violência através de ações culturais

26 de junho de 2012

Grupo NeoCriativa em ação

O conceito de economia criativa fervilha nas academias desde 1994 e pode inovar e melhorar as maneiras de se produzir informação

Redação SICOM PET,
de Millena Grigoleti


Um dos grupos de estudo mantidos pela Faac é o NeoCriativa. Ligado ao Departamento de Comunicação Social, discute produções que dependem da criatividade para gerar renda e trabalho através da conjugação de economia, cultura e tecnologia.

O conceito de economia criativa surgiu na área acadêmica em 1994, mas, muito antes disso, países africanos já desenvolviam a idéia. Na área, existem quatro eixos centrais: mídias, artes, patrimônio histórico e aspectos técnicos funcionais. O tema ganhou tanta importância que hoje existem políticas públicas direcionadas exclusivamente a ele, inclusive no Brasil, onde já existe a Secretaria de Economia Criativa desde 2011.

“A economia criativa tem a Comunicação como elemento estruturante de suas atividades. Como um de seus eixos é a mídia (impressa, eletrônica, digital e radical – todas as formas midiáticas desenvolvidas pelos movimentos sociais subalternos: grafite, vestuário, anedotas, fanzine, camisetas...), a comunicação tem papel especial nesse campo de pesquisa, como produção de conteúdos criativos, plataformas criativas e desenvolvimentos de infra-estrutura de organização de processos de inovação criativa”, explica o professor Juarez Tadeu de Paula Xavier, coordenador da atividade. O professor revela que decidiu montar um grupo de estudos voltado ao tema devido à relevância da área: “a economia criativa é, na minha opinião, o campo propício para o desenvolvimento de projetos na área da comunicação social”.

Juarez explica como a economia criativa pode ser útil para diferentes áreas da comunicação. No Jornalismo, por exemplo, as tecnologias digitais podem melhorar a produção de conteúdos informativos, via reportagens assistidas por computador (RAC). Além disso, “para os produtores de conteúdos eletrônicos e digitais, a economia criativa oferece uma grande gama de recursos e processos criativos. E para Relações públicas, a economia criativa é um playground de possibilidades, já que essa nova ecologia digital revisita as formas de gestão de processos, pessoas e recursos, como nunca se via, nas décadas anteriores”, ressalta.

O NeoCriativa se reúne às quartas-feiras, das 17h às 19h, na sala de reuniões do Departamento de Comunicação Social.

Entenda o conceito de Indústrias Criativas com esta reportagem da Globo News

22 de junho de 2012

Mais um Unespiano em Bauru!

O professor Francisco Machado Filho chega à Faac e passa a integrar o quadro docente da universidade

Redação SICOM PET,
de Luana Rodriguez


O corpo docente da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da UNESP-Bauru, ganha, neste ano mais um professor. Doutor em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), o professor Francisco Machado Filho passa agora a integrar a equipe de docentes do curso de jornalismo da universidade.


Recém-chegado da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), onde era professor nas disciplinas do curso de jornalismo e publicidade, o professor Kiko, como é apelidado, está envolvido em dois projetos de extensão: a Rádio Unesp Virtual, na qual é responsável pelo núcleo artístico do projeto, e no Grupo PET, no qual é responsável pelo núcleo de novos formatos de roteiro para televisão.


Kiko, que também tem experiência em comunicação, com ênfase principalmente na área de Radio e TV, temi como linha de pesquisa assuntos referentes à TV digital e já trabalhou também com temas como as Mídias Digitais e a Internet. Quando perguntado sobre o seu interesse pelo tema TV digital, afirmou que é um assunto já recorrente em sua carreira como pesquisador. “Minha dissertação de mestrado já tratava do tema TV Digital. O que me levou a estudar esse tema foi minha experiência de mercado em TV e o aprofundamento dos estudos nas disciplinas que eu ministrava dentro do jornalismo e rádio e TV”, lembra o professor, que iniciou seus estudos sobre o assunto na Universidade Vale do Rio Doce em Governador Valadares/MG.


Como pesquisador na linha de TV digital, o professor ainda vê na universidade bauruense uma boa estrutura nessa nova plataforma de comunicação social: “a UNESP tem uma ótima oportunidade de aprofundar os estudos em TV digital, pois conta com um mestrado específico na área e possui um canal de TV aberto que irá transmitir em alta definição”. Para o professor, a TV da UNESP é uma ótima oportunidade para os alunos de comunicação vivenciarem na prática as aplicações de interatividade e dos novos formatos decorrentes dessa nova modalidade de TV.

21 de junho de 2012

Movimento #Yosoy132 - a mudança que o México precisa

Da Redação SICOM PET,
por Gerardo Martínez - estudante intercambista da Universidad Nacional Autónoma de México



O ano de 2012 é significativo para a situação social e política do México porque os jovens estudantes mexicanos começaram a mudar por meio das redes sociais e aproveitando ao máximo a tecnologia na internet a visão que se tinha deles com o movimento chamado #Yosoy132.

O movimento surgiu em 11 de maio na Universidade Iberoamericana, na cidade do México, com a visita do candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI), Enrique Peña Niet. Os estudantes da universidade o recepcionaram com manifestações respeitosas sobre sua atuação quando foi governador do Estado do México, principalmente no caso Atenco onde ele decidiu utilizar a força pública contra a própria população daquela região. Depois do evento, os meios de comunicação difundiram que foi um êxito respaldando a imagem do candidato.

Daí, os estudantes decidiram fazer reclamações contra a mídia que ficam com o governo por se deixar manipular e mal informar. Não informam a realidade porque só difundem o que eles querem e ão controlados pelo governo para manipular a opinião pública.

Seus princípios são que é um movimento estudantil, cidadão, político e apartidário, não violento, de luta pelas demandas baseado nos direitos da liberdade de expressão e na soberania que a constituição mexicana nos conferiu, é um movimento horizontal unificado que não faz distinção entre universidades privadas ou públicas, não é só estudantil, mas, procura incorporar a cidadãos que compartilham os ideais do movimento.

É nesse ponto que se concentra a importância da tecnologia, neste caso em específico a internet. Isso porque a desinformação e a manipulação da informação ficam dentro dos problemas sociais na população mexicana e, com o acesso aos sites, a liberdade de expressão fica como direito fundamental do ser humano para sua livre difusão das idéias. Como meio de denuncia e escape dos jovens mexicanos, a internet tem papel importante na vida das novas gerações. Hoje as redes sociais no México representam a diferença com o passado, isso porque é o espaço onde as pessoas podem se comunicar sem censura e as informações chegam de um jeito direto, ou seja, não filtrada pelo governo ou um poder fático que decide que podemos saber ou devemos saber.

O movimento dos jovens mexicanos #Yosoy132 representa a mudança na mentalidade deles, no qual seu papel dentro da sociedade mexicana faz a integração de vários aspectos, entre eles o compromisso que eles tem com o futuro do país, o bem comum e o câmbio verdadeiro que o México precisa.



18 de junho de 2012

SICOM PET abre inscrições para o segundo semestre

Vagas serão apresentadas durante encontro na próxima quarta-feira

Da Redação SICOM PET,
por Kelly De Conti

O Grupo SICOM PET promoverá uma reunião para apresentar as vagas disponíveis para o segundo semestre deste ano. O encontro acontece na próxima quarta-feira, às 17h30, na Sala PET, que fica em frente ao setor de Graduação da FAAC.

Haverá vagas para os alunos de Jornalismo, Radialismo, Relações Públicas e Sistemas de Informação. Eles poderão escolher entre a Assessoria de Relações Públicas, Assessoria de Comunicação, SICOM Audiovisual, SICOM Audiofônico (em parceria com a Rádio Unesp FM), SICOM Impresso e o Portal de Notícias PET. Durante o evento, serão apresentadas as propostas de cada modalidade.

O SICOM PET é um projeto de pesquisa e extensão do Departamento de Comunicação Social (DCSO) voltado para a formação extracurricular dos estudantes da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da UNESP (FAAC/Unesp). O foco é o estudo e o desenvolvimento de gêneros, formatos e linguagens para produção e difusão de programação audiovisual e escrita artística e jornalística.

15 de junho de 2012

A instabilidade política e as reclamações das crianças no México

Da Redação SICOM PET,
por Gerardo Martínez
 - estudante intercambista da Universidad Nacional Autónoma de México 

Compreender a política mexicana é uma tarefa difícil e trabalhosa, não basta olhar apenas para os acontecimentos atuais. Uma boa análise crítica da situação social mexicana precisa acontecer mediante uma revisão d a história, ou seja, as bases do sistema político atual estão no passado mexicano, no qual existem os fatos e as respostas aos questionamentos em relação ao desequilíbrio social dos mexicanos.

A menos de um mês das eleições presidenciais do México, existe um ambiente de dúvida social sobre o que será do futuro político mexicano. Andrés Manuel Lopez Obrador, candidato da esquerda mexicana, e Enrique Peña Nieto, da direita, são os presidenciáveis definidos na competência presidencial na qual a candidata do Partido Acción Nacional (PAN), Josefina Vázquez Mota, ficou em terceiro lugar.

O poder da informação que tem a Televisa, empresa mexicana de televisão mais importante do país com presença na América Latina conhecida também como o gigante dos meios no México, é a base para sustentar o controle da população por parte do governo mexicano.

Na última semana, foi realizada uma entrevista com o candidato Andrés Manuel López Obrador no programa Tercer Grado, da empresa Televisa, na qual ficou nítida a oposição por parte dos jornalistas daquela empresa. Em contraste, para o mesmo programa também foi convidado o candidato Peña Nieto recepcionado com uma entrevista de tonalidade diferente.

Veja os vídeos de cada uma das entrevistas realizadas com candidatos:





 A violência, a corrupção, a pobreza e a criminalidade presentes na atualidade mexicana é um reflexo da instabilidade social que existe no país. É verdade que desde que a vantagem folgada do candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI) foi diminuindo e o apoio a Lopez Obrador foi aumentando desatou-se com força a campanha contra o candidato da esquerda. A situação do México está mudando para outros caminhos, outros desafios que nós mexicanos temos que enfrentar.

As novas gerações estão percebendo isso de uma maneira diferente, são ideias novas e revolucionárias que se acomodarão aos novos caminhos. Assista ao vídeo a seguir com as reclamações das crianças mexicanos:


11 de junho de 2012

"Moda, Música e Cinema" é tema da Semana de RP

Redação SICOM PET,
Produção: Jéssica Godoy e Ana Carolina Monari





XI Semana de RP começa hoje e vai até quarta-feira (13). O tema deste ano é: RP e Produções Culturais - Moda, Música e Cinema. O evento é organizado por alunos do 2º ano do curso de Relações Públicas da Unesp, câmpus de Bauru.






Saiba a programação dos próximos dias com a integrante do Comitê Organizador, Larissa Portalupi:





FAAC tem 11 trabalhos aceitos para o Expocom 2012


Da Redação SICOM PET,
por Kelly De Conti

A lista oficial dos trabalhos aprovados para a Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação – Expocom – já está disponível no site do evento. Neste ano, a FAAC/Unesp de Bauru será representada com 11 trabalhos (confira a lista abaixo).

As apresentações serão em todos os dias do evento, que ocorre entre 28 e 30 de junho. Todas as sessões estão marcadas para acontecerem na Escola de Farmácia da Universidade Federal de Ouro Preto, na Rua Costa Sena, nº 171, Centro, Ouro Preto (MG).

Vale lembrar que o melhor trabalho será premiado com um certificado e, dependendo da contribuição obtida pelos organizadores da Intercom junto a parceiros e patrocinadores, também poderá haver medalhas ou troféus. Contudo, o trabalho deixará de concorrer ao prêmio se o aluno responsável não o apresentar no local designado.

Cinema e Audiovisual
DOX: Programa de televisão ao vivo e interativo – Débora dos Santos de Grande (Dia 28 – às 17h - Sessão I – Sala F1)

Interprograma Link (PET-RTV) – Flávia Battistuzzo Dias (Dia 29 – às 11h30 – Sessão II – Sala F1)


Jornalismo
SICOM PET: a experiência de uma assessoria de imprensa convergente e multimidiática - Giovani Vieira Miranda (Dia 28 – às 15h30 – Sessão I – Sala F4)

Agência Júnior de Jornalismo – Jornal Jr
Marcela D’Andréa Busch (Dia 28 – às 14h30 – Sessão I – Sala F4)

Direto do Câmpus: acontecimentos da Unesp veiculado via web através de um produto audiovisual – Helena Schiavoni Sylvestre (Dia 29 – às 12h  – Sessão II – Sala F4)
Jornalismo Científico em Linguagem – Tiago Zenero de Souza (Dia 29 – às 14h – Sessão III – Sala F4)


Produção Editorial e Produção Transdisciplinar em Comunicação
Toque de Ciência Audiofônico – Lydia Rodrigues Souza (Dia 30 – às 10h30 – Sessão IV – Sala F4)

Relações Públicas
RPjr: Empresa Júnior de Relações Públicas – Lucas Sant’Ana Nunes (Dia 28 – às 13h – Sala F3)

Festival Cultural 20anos Rádio Unesp – Bruna Mantuan (Dia 28 – às 14h15 – Sala F3)

Assessoria de Comunicação para o Be Happy Bowling (Dia 28 – à 14h30 – Sala F3)

Assessoria de Comunicação para a ONG Batra – Rodolfo Josepette Nicolosi Garcia (Dia 28 – às 16h15 – Sala F3)

9 de junho de 2012

A riqueza da gastronomia do México

Da Redação SICOM PET,
por Gerardo Martínez - estudante da Universidad Nacional Autónoma de México

Uma das coisas nós mexicanos nos sentimos orgulhosos é de nossa culinária. A comida mexicana é famosa em todo o mundo por sua grande diversidade e a fusão de ingredientes que faz um sabor único. A gastronomia do México foi declarada em 2010 Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura (UNESCO). 


A base principal dos pratos mexicanos são a pimenta, o milho e o feijão. A maioria dos ingredientes é de origem indígena e sua elaboração também faz parte da invenção de sabores. Paso a passo, com experiência herdeira por séculos de tradição, é um presente para o gosto das pessoas e também um tempero saboroso. 

A comida mexicana da atualidade é herdeira de um passado diverso, resultado do choque cultural do antigo mundo. Essa conjunção entre os sabores suaves da comida tradicional espanhola e os fortes sabores da comida indígena deu como resultado essa comida que é reconhecida e significativa para todas as pessoas que têm a oportunidade de conhecê-la e experimentá-la. 

Caracteriza-se pela variedade de pratos e receitas e pela complexidade da preparação. Quando se fala de comida mexicana ao mesmo tempo se fala de uma identidade nacional, na qual estão presentes tanto as raízes do México antigo quanto as invenções do México moderno. 

Um exemplo é o Pózole, feito com milho nixtamal, consiste em uma sopa ou guisado com carne de porco, pimenta e outros temperos. É um prato típico em vários estados como Sinaloa, Michoacán, Guerrero, Jalisco, Morelos, México e Distrito Federal. 

É muito importante destacar o jitomate, o cacau, o aguacate, o calabaza, o nopal e a vainilla porque faz parte da culinária e foram os alimentos da terra para os povos e culturas pré-hispânicas ou do México pré-colombiano. 

Alguns pratos tradicionais mexicanos são: El burrito, Carnitas, Chilaquiles, Enchiladas, Frijoles Refritos que é feijão cozido amassado e frito, também pode-se encontrar pratos como o famoso guacamole, o huitlacoche, mole, nopales, pico de gallo, quesadillas, sopes, tacos, tamales e tostadas a maioria feitos com milho nitamal e os famosos aperitivos nachos e totopos que é tortilha frita. 

Com esse reconhecimento se comprova novamente que o México é muito rico não só em riquezas da natureza, cultura e tradição, mas também em sabor.

5 de junho de 2012

Unesp oferece transporte aos estudantes que participarão da Intercom

Prioridade é para alunos que apresentarão trabalhos, mas há lista de espera para quem participar apenas como ouvinte 

Da Redação SICOM PET,
por Kelly De Conti

A Unesp anunciou que disponibilizará um ônibus para os estudantes que tiveram os trabalhos aceitos na XVII Intercom Sudeste. A etapa regional do evento ocorre entre os dias 28 e 30 de junho na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em Minas Gerais. 

Os alunos que quiserem reservar a vaga para a viagem devem comparecer à secretaria do Departamento de Comunicação Social com o documento de identidade e a carta de aceite do trabalho. 

No total, ficarão disponíveis 20 vagas para os alunos que participarão da Expocom e da Intercom Júnior. Também haverá uma lista de espera destinada aos estudantes que não apresentam trabalhos, mas estes só serão chamados caso não seja atingido o número limite de lugares. 

Neste ano, o tema do evento será “Esportes na Idade Mídia – diversão, informação e educação” devido ao momento de preparação para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, ambos no Brasil.

3 de junho de 2012

México no Dia dos Mortos: quando a morte se encontra com os vivos.

Da Redação SICOM PET,
por Gerardo Martínez - estudante da Universidad Nacional Autónoma de México



Na etapa histórica, quando o domínio político e cultural pelos europeus não tinham chegado aos povos indígenas do continente americano, existia grande diversidade de tradições que, até agora, são parte de nossas origens. Um exemplo disso acontece no México com uma das tradições mais representativas e significativas para o povo, na qual os mexicanos fazem um ritual para lembrar seus parentes defuntos que voltam para o mundo dos vivos; é o chamado Dia dos Mortos. 

A UNESCO tinha declarado essa festividade como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. No México, o dia é comemorada com grandes festejos; comida, bebida, música, danças e representações engraçadas e caricatas da morte (caracterizada pela personagem La Catrina). 

Conforme as crenças da civilização mexicana antiga, quando uma pessoa morre seu espirito continua vivendo no mundo terreno. No cemitério, o lugar onde eles podem descansar em calma e paz, é também designado para que as almas dos defuntos retornem à vida e possam reencontrar-se com suas famílias, e assim, poderem visitá-los. Tem-se a crença que ainda que as pessoas vivas não possam vê-los, eles podem percebê-los ou senti-los como se estivessem vivos. 

Faz parte da tradição que a imagem da morte não produza medo para o povo porque, para os indígenas mexicanos, tem-se a ideia de que a morte é uma questão de alegria. Já para os povos mesoamericanos antigos, a morte não tinha as conotações morais da religião católica, do inferno e o paraíso que servem para castigar ou premiar. Pelo contrario: eles acreditavam que os destinos das almas dos mortos estavam determinados pela morte que eles tiveram, mas não pelo seu comportamento na vida. 

Com a chegada dos espanhóis ao México no século XVI, aconteceu uma mistura de crenças e tradições, formando, assim, um conjunto de duas culturas diferentes e que agora faz parte da história e da memoria do povo mexicano.  De acordo com o calendário católico atual, o dia primeiro de novembro é dedicado a todos os santos e o dia dois aos fieis defuntos. Os indígenas tinham a crença de que todos os mortos se dirigiam para Mitlantecutli ou Mitlan, pois seria o lugar onde todas as almas vão permanecer pela eternidade.

Parte importante desta celebração é a ideia de que existe alguma coisa depois da morte, mudando o conceito de que há apenas tristeza. O Dia dos Mortos faz com que as pessoas contemplem a morte como uma filosofia de alegria, festividade e oração porque cada um dos elementos para a celebração contém misticismo, historia e cultura puramente mexicana.

1 de junho de 2012

Doc. de animação: a subjetividade para mostrar o real

Por Renan Simão em
matéria originalmente publicada no blog e-Colab

Antes de começar esse texto, copio uma frase do jornalista e documentarista Bruno Natal sobre documentários:

“… porque documentário não um gênero, é uma linguagem.”


Posto isso, vamos ao texto.


Na última terça-feira, durante a Semana de Rádio e Tv da Unesp, foi realizada a palestra: “A expansão do cinema documentário: novas relações entre documentário e ficção” ministrada por Jenifer Serra, na sala 1 da FAAC. Não se atendo ao título genérico da palestra, Jenifer, formada em Produção Cultural e mestranda do programa Multimeios da Unicamp, aprofundou-se por um gênero de documentário: o de animação.

Formato caro ao cinema documental contemporâneo, o documentário de animação se tornou famoso em dois filmes: Valsa com Bashir (2008), Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e Ryan (2004), vencedor do Oscar de animação. Tais produções têm em comum o fato utilizarem a animação para contar uma história real. Sim, a realidade pode ser representada de forma subjetiva e mostrar aspectos que o documentário objetivo não pode atingir. Esse foi o ponto da palestra.

Definições, Magritte e Ryan
Para delimitar seu campo de atuação Jenifer diz que o documentário é o cinema “que busca interrogar o real, o mundo histórico”. Também fala que a animação aparece “tradicionalmente como imaginativa, irreal”, mas utiliza recursos do cinema clássico para contar uma história. Por fim, define o documentário de animação: “linguagem que usa a representação subjetiva [persongens animados, bonecos, etc.] para mostrar temas, aspectos, histórias e sentimentos objetivos”.

René Magritte, pintor surrealista que confundiu os limites entre realidade e ficção, mostrava que tudo é representação: realidade e subjetividade caminham juntas. Um quadro, um texto ou um documentário são representações da realidade, sendo assim, impedidas de mostrar o real como um todo. Se não podemos mostrar a realidade como seu todo num documentário clássico, porque não lançar mão de recursos subjetivos da animação para representar aspectos objetivos que são impossíveis de se ver num filme convencional? Esse é o alvo do documentário de animação.

Como exemplo da discussão, Jenifer exibiu o curta-documentário de animação Ryan, com direção de Chris Landreth, de 2004. O filme faz uso de esquetes, pintura e animação 3D para contar a história real de Ryan Larkin. Larkin, um talentoso animador canadense que nos anos 80 criou peças de animação inovadoras de grande influência na produção de filmes de seu país sofreu com o fracasso profissional e 30 anos depois era facilmente encontrado morando nas ruas de Montreal devido ao vício em álcool e cocaína. Por meio de entrevistas e depoimentos verídicos, a animação conta a trajetória de Ryan, dialogando com seus amores, amigos, crises de criatividade, vícios e pobreza.

Mas o detalhe mais impressionante do curta é a representação dos personagens. Desfigurações do rosto mostram a degradação moral, demonstrações de raiva são tentáculos vermelhos que saem do cérebro e contornos roxos sobre o rosto lembram o amor dos entrevistados animados. “A imagem vista na tela é fruto das impressões coletadas nas entrevistas. Os detalhes dos corpos e expressões são subjetivos sim, mas tem profunda ligação objetiva com a história real”, observa Jenifer. Ela ainda conta que essa aproximação de realidade fantástica é chamada por pesquisadores de psicorrealismo.

Com convicção, a mestranda afirma que o documentário de animação deve ter uma leitura documentalizante, não se atendo à imaginação somente, e que “animação pode ser subjetiva mas tem compromisso sobre o real".

Agora, lembrando da frase do Bruno Natal lá de cima, realmente o documentário pode transitar por vários gêneros devido à sua linguagem abrangente e não se prender ao seu rótulo limitador de objetivo.

Veja na íntegra o curta-metragem Ryan:


31 de maio de 2012

Cultura e economia em debate

Mesa-redonda do FIAA promove discussões sobre o atual modo de produção cultural
ACI/Faac


A terceira noite do Fórum Ibero-Americano de Audiovisual e Arranjos Produtivos (FIAA) foi marcada pela mesa-redonda com o tema “Economia Política da Produção Cultural”. Os convidados para o debate foram a socióloga argentina Stella Puente, o poeta e cineasta Donny Correia e o professor da FAAC Francisco Machado.


Quem iniciou a discussão foi Stella Puente, que focou sua fala no impacto das novas tecnologias da indústria da música: “Com a digitalização dos conteúdos e o surgimento das novas tecnologias, a indústria dos bens culturais teve seu paradigma amplamente modificado, tanto na produção, quanto no consumo e no modelo de negócios”, explica a socióloga. Stella também falou sobre a “Lei dos Médios”, criada recentemente na Argentina, que aumenta a democratização no acesso e produção dos meios.

Em seguida, Donny Correia falou sobre o novo modelo de organização social e as dificuldades no investimento na cultura: “Um dos grandes problemas relacionados aos espaços culturais é o aporte de verba que será destinado para cada local. Isso é minimizado pela Lei de Incentivo à Cultura, mas ainda é um grande empecilho”, afirma Donny.

Já Francisco Machado abordou a TV digital sob diferentes aspectos. Primeiramente, o professor usou slides para mostrar as novas tecnologias de transmissão de conteúdos. Depois, ele explicou os impactos da digitalização e o posicionamento das emissoras diante dessa mudança: “Os canais de TV vão se preocupar muito mais com a qualidade da imagem do que com o conteúdo jornalístico produzido”, alerta o professor. Ao fim das exposições, os ouvintes presentes na sala 1 puderam tirar suas dúvidas e debater com os convidados. O FIAA continua sua programação com palestras, mesas-redondas e bate-papo até o dia 1º de junho.

Incubação de projetos ganha destaque em workshop

O jornalista Valdir Alvares ressaltou a importância da incubação na elaboração de projetos relacionados à cultura
ACI/Faac

Ocorreu hoje durante o FIAA, o Workshop “Incubação de Projetos no Desenvolvimento da Economia Criativa”, liderado pelo jornalista e Diretor de Programas Culturais da Secretaria de Cultura, Valdir Grandini Álvares. Incubação trata-se do planejamento e preparação de um projeto, e na área da cultura, essa prática tem crescido bastante com inúmeros editais. Valdir também foi secretário de cultura da prefeitura de Londrina, e falou um pouco de sua experiência no cargo, no qual visitou com muita freqüência comunidades carentes e favelas para orientar os projetos culturais rumo a aprovação para a lei de incentivo. Para ele deve se ter cuidado ao lidar com esses tipos de projetos, e não tentar impor e nem fiscalizar muito. “É necessária ter uma relação de confiança com os artistas”, completa.

A lei de incentivo a cultura, criada em 1994 obteve uma adesão progressiva ao longo dos anos, com 256 projetos inscritos dois anos depois, número recorde, que foi batido de 2001 a 2002, com 406 projetos. E a verba que era de R$ 1,2 milhões dobrou para R$ 2,5 milhões no segundo ano.

Valdir ressalta que em Bauru falta uma mediação e melhor divulgação para implementar o projeto de incubação de projetos culturais. Ele também acredita que é possível uma parceria entre a universidade com a secretaria de cultura da cidade, para criar uma Incubadora, que pode funcionar como projeto de extensão. Para o jornalista é preciso que se discuta qualquer tipo de idéia, mesmo que ela pareça inviável: “Nenhuma idéia não pode ser aproveitada, é necessário ter um tratamento delicado para cada projeto que você vai lidar e orientar o interessado para que a chance de aprovação seja a maior possível”, frisa.

Crise no cinema espanhol

Segundo dia do FIAA traz mostra de cinema espanhol e debate sobre o tema
ACI/Faac

O segundo dia do Fórum Ibero-Americano de Audiovisual e Arranjos Produtivos (FIAA), teve como parte de sua programação uma mostra de cinema espanhol, com a exibição dos curtas-metragens “Um perro andaluz” (direção de Luis Buñuel), “La concejala antropófaga” (de Pedro Almodóvar) e “Mirindas Asesinas” (direção de Alex de La Iglesia). Os convidados para debater sobre cinema espanhol foram o cineasta e poeta Donny Correa e o professor Francisco Caballero, da Universidad de Sevilla. A discussão foi mediada pelo professor da FAAC, João Eduardo Hidalgo.

A mostra começou com Hidalgo expondo uma breve história do cinema espanhol. Depois, o professor explicou que a Espanha passa por uma crise na área cinematográfica, a qual acompanha a crise econômica europeia, tendo, dessa forma, menos recursos para produzir filmes. Após essa pequena introdução, foram exibidos os três curtas-metragens espanhóis e “Totem”, curta-metragem do cineasta Donny Correia. Em seguida, deu-se início ao debate entre os convidados e a plateia.

Francisco Caballero explicou que o cinema foi interrompido na Espanha, pois o país não soube lidar com a crise econômica que o atinge, ao contrário de nações latino-americanas. “O cinema brasileiro e argentino está crescendo, pois esses países souberam lidar e produzir dentro de crises. A Espanha, por outro lado, produz cada vez menos obras cinematográficas”, esclarece Caballero. Além disso, o professor comentou sobre a dificuldade de comercializar obras espanholas, como de Almodóvar, dentro do próprio país, uma vez que a população espanhola está cada vez mais adaptada a assistir produções norte-americanas. 

O professor João Eduardo Hidalgo alertou para o fato de que os brasileiros não conhecem filmes espanhóis, assim como a população espanhola não é acostumada com o cinema brasileiro. “Até poucos anos atrás, os filmes estrangeiros tinham que ser dublados para entrar na Espanha. Esse é um dos motivos para o pouco conhecimento dos espanhóis em relação ao cinema brasileiro”, explica Hidalgo. Outro ponto destacado pelo professor da FAAC é o fato de que atualmente o cinema brasileiro não necessita de grandes cenários e efeitos visuais grandiosos, basta ter uma boa ideia para se produzir um filme. 

Por fim, Donny Correia falou um pouco sobre cinema brasileiro, criticando o constante uso da temática de favelas nas produções nacionais. Além disso, afirmou que o Brasil passa por uma crise de criatividade para criar histórias. “No Brasil sofremos uma crise de roteiro. Temos dinheiro pra produzir, ótimos atores, boa estética, mas não temos roteiro para criar boas narrativas”.

30 de maio de 2012

Trabalho de incubadora é apresentado no FIAA

Da Redação SICOM PET,  
por Gabriela Ferri


Ontem a tarde os inscritos no FIAA 2012 tiveram a oportunidade de participar da oficina "Incubadora de Cooperativas Populares (INCOP) e a Economia Solidária".

A conversa que durou das 14h as 18h foi um grande incentivo para quem se interessa pelo assunto e pretende trabalhar na área. Para aqueles que não puderam participar, fica a oportunidade de dar uma olhada no álbum do evento.




28 de maio de 2012

Entrevista para a Rádio Unesp FM

Da Redação SICOM PET

Os professores Antonio Francisco Magnoni e Juarez Xavier da Unesp de Bauru participaram hoje pela manhã do quadro Entrevista do Dia, na Rádio Unesp FM. Há algumas horas do inicio do I Fórum Ibero-Americano de Audiovisual e Arranjos Produtivos (FIAA) os coordenadores do evento falaram um pouco mais do esperam e quais os principais objetivos do evento.
No podcast abaixo você confere um pouco mais sobre Audiovisual e Arranjos Produtivos.




O fórum começa hoje as 19 horas e as inscrições ainda podem ser realizadas na entrada. Mais informações pelo email fiaa2012@faac.unesp.br 

27 de maio de 2012

Prostituição em Bauru é vista como “doença social”, afirma jornalista

No Brasil, assunto é tratado como problema de saúde pública; exploração sexual e tráfico de pessoas são as maiores preocupações

Colaboração
por Amanda Pioli, Felipe Mateus, luciana Fraga 

Discentes do 7º Termo de Comunicação Social-Jornalismo da FAAC/Unesp 

Apesar de ter sido sede de um dos mais famosos bordéis do Brasil nos anos 50 e 60 - a “Casa da Eny” - a cidade de Bauru não tem um histórico de desenvolvimento de políticas públicas específicas sobre o assunto. As ações existentes são extensões de políticas nacionais ou iniciativas de organizações não governamentais, todas voltadas à prevenção da transmissão de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Em 2008, a jornalista Priscila Gonçalves Bernardes escreveu o livro-reportagem “Profissão da vida: olhares femininos sobre a regularização da prostituição”. Apresentada como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo na Unesp, a obra trata da questão da prostituição em várias cidades, entre elas Bauru.

Priscila explica que, na maioria das cidades, não há uma organização das garotas de programa a fim de lutar por melhorias de condição de trabalho, porque muitas dessas profissionais consideram a ocupação como uma atividade temporária. Essa falta de união das prostitutas traz consequências, como explica a jornalista: “Em Bauru, as prostitutas não desenvolveram a capacidade organizativa e autônoma que podemos verificar em cidades como Campinas e Ribeirão Preto, por exemplo. Elas estão muito mais marginalizadas e, portanto, expostas a diversos tipos de violência. Ouvi relatos que vão desde pessoas que jogam objetos nessas mulheres até sequestro e tentativa de homicídio”.

A prostituição em Bauru, segundo a entrevistada, é tida pela sociedade como uma “doença social” que deve ser combatida para manter os valores da cidade. Mas ela faz uma observação: “´É na família tradicional que muitas delas encontram o seu sustento. A prostituição no Parque Vitória Régia nas manhãs e tardes dos dias úteis é bastante interessante para elas, porque, segundo uma de minhas entrevistadas, é nesse período que os homens casados e com maior estabilidade financeira costumam procurá-las.”

De acordo com Priscila, a discussão a respeito da regulamentação como forma de evitar problemas como a exploração e a violência é algo que precisa ter a participação das próprias prostitutas: “Apesar do desenvolvimento de uma pesquisa sobre o assunto, não cheguei a uma conclusão definitiva sobre a regulamentação da prostituição. Por ser um tema especialmente delicado, não me senti no direito de expor como as coisas devem ser. O que acredito, porém, é que essa é uma discussão que precisa ser pautada, e precisa ser levada com e pelas próprias prostitutas. Há tanto grupos de prostitutas organizadas favoráveis à regulamentação quanto contrários”.

Prevenção e aconselhamento

Em Bauru, a maior parte das ações desenvolvidas é voltada para a área de saúde pública. A ONG Sociedade de Apoio a Pessoas com Aids de Bauru (SAPAB) presta assistência a portadores do vírus HIV na região desde 1992. Seja por meio de abrigo, tratamento psicológico ou campanhas de prevenção, a SAPAB é uma iniciativa ligada à prática sexual saudável e, portanto, de orientação a profissionais do sexo. “Tentamos valorizar o que de melhor cada um tem, tentamos encontrar uma forma da pessoa não achar que é um excluído da sociedade”, afirma Marcia Pereira da Silva, coordenadora da ONG.

Bauru também possui os Centros de Testagem e Aconselhamento, que realizam ações de prevenção e diagnóstico de doenças sexualmente transmissíveis. Os serviços oferecidos são testes para HIV, sífilis e hepatites B e C, gratuitos, além de fornecer materiais de prevenção, como preservativos.

Segundo Eliane Monteiro, coordenadora do programa DST/AIDS em Bauru, as pessoas que procuram os centros também recebem acompanhamento psicológico sigiloso. “Quando uma pessoa nos procura, a primeira coisa que fazemos é uma sessão para aconselhá-la, tirar todas as suas dúvidas sobre DSTs”, afirma.

Profissionais do sexo e outros grupos considerados mais vulneráveis às DSTs também podem contar com o trabalho de educação continuada oferecido pelo Centro de Referência em Moléstias Infecciosas (CRMI). Confira endereço e telefone desses serviços no final da reportagem.

Combate à exploração sexual

Apesar de a prostituição não ser considerada um crime pela legislação brasileira, existem alguns delitos ligados à prática, como o favorecimento à essa atividade, chamado de Lenocínio. De acordo com o art.227 do Código Penal, esse crime é punível, com reclusão de um a oito anos. A Polícia Militar de Bauru informa que o combate às casas de prostituição é realizado apenas mediante à denúncia. Não há fiscalização contínua nesse tipo de estabelecimento.

Desde o século passado, a questão é abordada no Brasil como problema de saúde pública, no qual a transmissão de doenças venéreas, como a sífilis, é a maior preocupação. Outros problemas são o turismo sexual e o tráfico internacional de pessoas, principalmente de mulheres. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em parceria com o Governo Federal, luta para acabar com essas práticas com campanhas anuais, intensificadas na época do Carnaval, época em que muitos estrangeiros visitam o Brasil.

Serviço:

- SAPAB - Sociedade Apoio Pessoas com Aids de Bauru
Endereço: Rua Arnaldo R. Menezes 15/46, Parque Jaraguá – Bauru - SP
Telefone: 3226-2002

- CTA – Centro de Testagem e Aconselhamento
Endereço: Rua XV de Novembro, 3-36, Altos da Cidade – Bauru – SP
Telefone: 3234-2576

- CRMI – Centro de Referência em Moléstias Infecciosas
Endereço: Rua Silvério São João, s/no
Telefone: 3224 – 2380

(Colaboraram: Ana Cláudia Tripoloni, Brunara Ascêncio, Bruno Sisdelli, Camila Franzoni, Lucas Gandia, Mariane Bovoloni, Matheus Fontes, Mirela Dias, Odelmo Serrano e Tainá Goulart)

26 de maio de 2012

Saúde em Bauru: promessas e dívidas

Situação do setor na cidade não mostra melhoras significativas; projetos prometem mudar esse panorama

Colaboração
por Beatriz Almeida, Damaris Rota, Laís Rodrigues, Lívia Pereira
Discentes do 7º Termo de Comunicação Social-Jornalismo da FAAC/Unesp



O endividamento do município de Bauru atinge a área da saúde e leva o governo a tomar certas medidas. Uma delas é a privatização de instituições administrativas no setor. No entanto, as ações não garantem melhorias na área e a qualidade do serviço oferecido ainda deixa a desejar: faltam leitos e medicamentos e os equipamentos são ultrapassados. Como alternativa, a sociedade civil cria iniciativas para suprir a demanda por atendimento médico 

Apesar de Investimentos, a situação da saúde ainda é preocupante 

No dia 6 junho, o Ministério da Saúde anunciou um repasse de R$ 880 milhões para o sistema de saúde do país. Desse total, Bauru receberá quase R$ 397 mil, para construir duas novas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs): uma em Tibiriçá e a outra em Octávio Rasi. Segundo informações fornecidas pelo ministério, o objetivo é aumentar o acesso aos serviços de saúde, desafogar os atendimentos nas urgências e emergências e ampliar a assistência especializada. 

Além das duas novas UPAs há possibilidade da cidade ganhar este ano mais um hospital. Ele está localizado nas dependências da Universidade de São Paulo e deve começar a funcionar de modo gradativo. O estabelecimento é um passo para a instalação de um curso de Medicina em Bauru. Quando estiver funcionando de forma plena, o novo hospital - que possui 12 andares, 164 leitos e 20 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) - precisará de, em média, 200 médicos. 

Desde a crise do Hospital de Base (HB) em 2009, ele atua com a metade de sua capacidade. Mais de 50% das pessoas que dão entrada no hospital necessitando de internação demoram mais de 24 horas para conseguir um leito. 

No período de 2005 a 2011, a média de leitos no país era de 26 por 10 mil habitantes, enquanto a média mundial é de 30 leitos para cada 10 mil. Em 2009, Bauru contava com 1046 leitos para internação, sendo 465 regulares e 581 privados. 


Projeto aprovado pela Câmara prevê privatização de setores da saúde 

O prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho, deve terminar seu mandato em dezembro deste ano sem cumprir uma de suas promessas de campanha, que diz respeito a não privatização da saúde pública na cidade. No dia 17 de outubro de 2011, em sessão na Câmara dos Vereadores, foi aprovado, por 11 votos a cinco, o Projeto de Lei nº 56/11, que prevê a criação da Fundação Estatal Regional de Saúde de Bauru pelo Poder Executivo. 

A Fundação teria a responsabilidade de coordenar as atividades e políticas da área da saúde, junto aos municípios da região, inclusive a partir da contratação de serviços junto à iniciativa privada. 

O projeto foi aprovado pela Câmara com a condição de que o estatuto da entidade voltasse ao Legislativo para análise e aprovação: até o momento não houve encaminhamento do documento para os vereadores. 

Cerca de oitocentos funcionários serão necessários para o funcionamento da instituição. Para cumprir essa demanda, trabalhadores de outras unidades do serviço de saúde pública deverão ser remanejados. Segundo declaração do vereador Roque Ferreira (PT) para a Rádio 94FM, servidores estatutários não poderiam ser transferidos para uma instituição na qual as relações de trabalho são regidas pelo regime jurídico de natureza privada. 

Outro caso semelhante aconteceu na administração da Maternidade Santa Isabel, cuja gerência passou da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) para a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (FAMESP), uma Organização Social de Saúde (OSS). As OSSs são entidades de direito privado, de finalidade não lucrativa. Os 106 funcionários da antiga AHB que não foram aprovados pelo concurso realizado pela instituição foram realocados para trabalhar no Hospital de Base. 


Transição de gestão da Maternidade Santa Isabel chega ao fim 

No dia 1º de junho, a Maternidade Santa Isabel passou a ser administrada pela Fundação Para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (FAMESP). A entidade privada Associação Hospitalar de Bauru (AHB), antiga administradora da Maternidade, possuía como principal fonte de renda fixa os repasses do Sistema Único de Saúde (SUS), que era inferior às necessidades da unidade. A Associação esteva envolvida em escândalos de desvio de verbas do SUS e encontrava-se com dívidas que passam dos R$ 140 milhões. 

A crise veio à tona quando a Operação Odontoma - ação do Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e Polícia Federal (PF) - foi executada para apurar a existência de desvios de recursos públicos, superfaturamento e cobranças indevidas de serviços dentro da AHB. 

A FAMESP pretende investir este ano na Maternidade R$ 22 milhões com reformas do prédio e compra de equipamentos novos. A Fundação também avalia projetos para a construção de uma nova maternidade ao lado do Hospital Estadual de Bauru, já administrado pela Fundação. 

Até o final do ano, mais 80 funcionários que passaram no concurso, mas ainda não foram convocados, devem ser contratados. A fundação admitiu também 50 médicos que começaram a trabalhar dia 1º de junho. A Maternidade Santa Isabel é referência em partos de alto risco para toda a microrregião de Bauru, que abrange 22 municípios. 

Iniciativas da população civil suprem necessidades 

Apesar do investimento em ações que promovam a saúde da população, as suas necessidades básicas não são atendidas pelo governo municipal. Por esse motivo, a demanda é atendida em parte por projetos que não são ligados à Prefeitura. 

Os estudantes de Odontologia do campus de Bauru da USP são um exemplo desse tipo de ação. A partir do segundo ano do curso, eles atendem em quatro clínicas diferentes, oferecendo vários tipos de tratamento à população. O professor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) Rafael Mondelli explica que é feita uma triagem que encaminha o paciente para a especialidade necessária. Os alunos de cada especialidade são definidos de acordo com os semestres e as disciplinas que já cursaram. 

Os alunos também atendem a comunidade se dirigindo aos bairros mais afastados. O professor destaca que tanto a sociedade quanto o corpo discente se beneficiam com a ação . “É uma forma de você ter todo o investimento do governo em termos da universidade na formação do profissional para que depois ele possa estar prestando atendimento de qualidade aos pacientes.” 

O doutorando do programa de odontologia da USP Guilherme Cardia concorda com o professor e comenta que a qualidade do atendimento não pode ser considerada inferior a clínicas particulares: “Os pacientes necessitam desse atendimento, e aqui fazemos esse atendimento da mesma forma que seria um atendimento particular. Temos toda a gama de materiais, de conhecimento, então conseguimos atender esses pacientes da melhor forma possível.”, afirma o estudante. 

Também colaboraram: Aline Camargo, Ana Laura Mosquera, Ana Lis Soares, Beatriz Spinelli, Bianca Barbis, Camila Oliveira, Gabriel Salgado, Guilherme Weimman, Isabel Namba, Kátia Kishi, Luis Paulo Jarussi, Maria Eduarda Kalil, Pedro Zambon, Raphael Rodrigues, Thatianna Oliveira, Thiago Sawada, Vanessa Cancian, Vinicius Denadai

Aumento no consumo de crack preocupa poder público

Droga tem consumo crescente e governos municipal e federal ampliam medidas de combate ao uso

Colaboração
por 
Amanda Pioli, Felipe Mateus, Luciana Fraga  

Discentes do 7º Termo de Comunicação Social-Jornalismo da FAAC/Unesp 


O crack já é a droga ilícita mais consumida no estado de São Paulo. De acordo com uma pesquisa divulgada em 2011 pela Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, ele foi apontado como a mais usada, citado em 31% das respostas. Esse número só é menor que o de consumo de álcool, droga lícita, que totaliza 49% das respostas. A preocupação gerada pelo aumento do uso leva às medidas adotadas pelos municípios e pelo governo federal.

A estimativa da Polícia Militar de Bauru é de que existam cerca de 70 pessoas na cidade que vivem em função do crack - os traficantes. O número preocupa ainda mais quando são considerados os usuários: mais de dois mil. Grande parte dessas pessoas se acumula nas proximidades da linha férrea, localizada em baixo do viaduto, no cruzamento da rua 13 de Maio com a avenida Nuno de Assis. O local é conhecido como a “cracolândia bauruense”. 

Em reportagem publicada no dia 6 de junho, o Jornal da Cidade de Bauru mostrou uma outra faceta do crack, o abandono. Usuários passaram a utilizar tubulações do Departamento de Água e Esgoto (DAE) depositadas em uma área próxima ao Rio Bauru. 

O major Flávio Kitazume, subcomandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4ºBPMI), afirma que o uso das drogas contribui muito para a ligação dos usuários a atividades criminosas. “O crack é uma droga que vicia rapidamente e causa uma dependência muito forte”, aponta. Segundo o major, “quando o indivíduo não tem mais dinheiro para comprar as pedras, ele parte para o roubo, inclusive dentro de casa, e para a prostituição”. 

Kitazume ainda observa que a maior preocupação da PM é detectar os pontos de venda para poder combater o tráfico. Para ele, algumas medidas colaboram com a diminuição do uso da droga. “As campanhas desenvolvidas trabalham com a conscientização da sociedade. A educação familiar, no entanto, é fundamental para auxiliar no tratamento de dependentes e afastar possíveis novos usuários do vício”, adverte. 

Iniciativas na cidade 

Para combater a disseminação do crack, Bauru conta com algumas operações realizadas pela Secretaria do Bem-Estar Social (SEBES). Entre elas, estão a “Enfrentamento ao crack”, que já acontece há alguns meses, e o “Projeto Revitalizar”. 

As operações são realizadas durante o dia, não abrangendo, portanto, todos os usuários. A “Enfrentamento ao Crack” percorre locais predeterminados no período das 6h às 9h da manhã, para retirar as pessoas das ruas, e levá-las a locais seguros, e depois encaminhá-las ao o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Creas Pop). Tal limitação no horário exclui do recolhimento os usuários de drogas que voltam a esses locais de risco apenas à noite. 

Para tentar ampliar a atuação das instituições, Darlene Têndolo, secretária do Bem-Estar Social, informou, em entrevista ao Jornal da Cidade, que o Creas Pop, responsável por encaminhar os moradores de rua a entidades assistenciais, vai receber reforço para poder atuar 24 horas. Por enquanto, o centro atende até as 17 horas. 

Os projetos coordenados pela SEBES não são os únicos desenvolvidos na cidade. O “Alimentando Corpo e Alma” sai às ruas nas sextas-feiras à noite, buscando usuários de drogas que queiram ir, por vontade própria, procurar assistência no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas de Bauru (Caps Ad). Além do encaminhamento, o grupo de voluntários distribui comida e cobertores. 

Políticas Federais 

Em todo o Brasil, o governo federal também atua no combate ao crack. Um dos órgãos responsáveis pelo combate às drogas no país é a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). Segundo o portal do Ministério da Justiça, a atuação é feita em três frentes: pesquisas para saber o panorama atual, a capacitação de profissionais para lidar com o tema e projetos que trazem informações e ampliam o acesso aos recursos locais existentes para prevenção e tratamento. Só neste ano, segundo o site da Senad, houve financiamento de R$375 mil para a área de pesquisas e projetos. 

Uma outra iniciativa do governo federal é o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, instituído em 2010. Ele prevê apoio quanto à prevenção do uso, o tratamento dos usuários e a reinserção dos dependentes na sociedade. 

Dentro desse Plano, há a mais nova campanha de combate ao Crack, lançada pela presidente Dilma Rousseff, intitulada “Crack, é possível vencer”. A campanha teve um investimento de R$4 bilhões do governo, segundo o portal da secretaria. Dessa quantia, R$6 milhões se concentraram na implantação de mais Centros Regionais de Referência, responsáveis pela capacitação dos profissionais quanto à prevenção do uso e o tratamento dos dependentes. Outras ações também visadas pela campanha são o policiamento das áreas de uso de drogas e as ações preventivas nas escolas e comunidades. 

(Colaboraram: Ana Cláudia Tripoloni, Brunara Ascêncio, Bruno Sisdelli, Camila Franzoni, Lucas Gandia, Mariane Bovoloni, Matheus Fontes, Mirela Dias, Odelmo Serrano e Tainá Goulart)

25 de maio de 2012

FIAA: Perfil Dennis de Oliveira


No dia 28 de maio, durante a mesa-redonda "Políticas Públicas de Estado na Produção Cultural", junto de Francisco Sierra, está Dennis de Oliveira. Conheça-o.


Parte acadêmica:

Professor da Universidade de São Paulo no curso de Jornalismo da ECA e nos Programas de Pós Graduação em Direitos Humanos da Faculdade de Direito/São Francisco e de Mudança Social e Participação Política da EACH/USP-Leste. Vice-chefe do departamento de Jornalismo da ECA. Coordenador do CELACC (Centro de Estudos Latino Americanos sobre Cultura e Comunicação), membro do Conselho Científico do NEINB (Núcleo de Pesquisa e Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro). Consultor ad-hoc do CNPq e Fapesp. Autor do livro "Mídia, Cultura e Violência" (São Paulo: Celacc, 2010) e editor da revista ExtraPrensa.

Fora da universidade:
Dennis de Oliveira é colunista da Revista Fórum, uma publicação de natureza independente que surgiu durante o Fórum Social Mundial de 2001 em Porto Alegre e é importante espaço de reportagens e debates à margem das pautas dos grandes veículos de comunicação. Para conhecer mais do conhecimento e posicionamento político-independente de Dennis, basta segui-lo no Twitter ou no Facebook



FIAA: Perfil Francisco Sierra Caballero

Por meio de entrevista do Observatório do Direito à Comunicação, conheça o professor e pesquisador Francisco Sierra Caballero. Ele e outros profissionais destacados estarão presentes no dia 28 de maio para a mesa "Políticas Públicas de Estado na Produção Cultural". Abaixo, confira a entrevista na íntegra em que Francisco Sierra disserta sobre, entre muitos assuntos, a força da comunicação como mudança social.




A comunicação como cooperação produtiva


A pouca idade de Francisco Sierra Caballero parece não ter acompanhado sua produção intelectual. Apesar de ser considerado um dos mais novos pesquisadores latinos colaboradores com o pensamento crítico no campo das TIC, ele já possui mais de 20 livros publicados e quase 40 artigos inseridos em revistas científicas, tendo ganhado renome internacional com pesquisas sobre as tendências das políticas de comunicação educativa na construção da Sociedade Global da Informação. 



Sierra é professor da Universidade de Sevilha e diretor do Centro Iberoamericano de Comunicação Digital e do curso de pós-graduação em Comunicação e Desenvolvimento Local. Doutor em Ciências da Informação, o investigador espanhol é membro permanente da International Association for Media and Communication Research (IAMCR). Dentre suas principais publicações estão “Apuntes para uma Historia de la Comunicación Educativa” (2002), “Crítica de la Economía Política de la Comunicación y da Cultura” e “Políticas de Comunicación y Educación (2006)”.


Em entrevista ao Boletim de Notícias da Rede Eptic, Francisco Sierra defende a necessidade de formulação de políticas públicas de comunicação educativa e diz que o conhecimento não deve ser tratado como mercadoria, mas sim socializado. O pesquisador acredita que as TIC e suas inovações implicam mudanças nas relações sociais e que se torna necessária a construção de políticas locais e regionais de comunicação. Ele ressalta a importância das investigações da Ulepicc na construção de um novo modelo social de comunicação como cooperação produtiva e afirma que a participação da comunidade nos processos inovativos deve ser vista como planejamento de desenvolvimento e de mudança social.

EPNOTÍCIAS - Ao abordar o processo histórico da comunicação educativa em um de seus livros, o senhor aponta a comunicação, a educação e o desenvolvimento como sendo três paradigmas importantes para a concretização de um universo discursivo de liberdade do saber e do conhecimento. Como fazer uso pedagógico dos meios de informação em uma estrutura internacional oligopolizada, que promove a mercantilização do saber e do conhecimento?
Francisco Sierra - Eu acredito que são muito importantes as experiências locais no apoio à luta dos movimentos sociais, a uma socialização do conhecimento com as tecnologias da informação e da comunicação, a uma democracia participativa radical. Também é muito importante o projeto de redes interurbanas, projetos em que essas experiências locais tenham conexão com outras experiências de socialização das novas tecnologias. Quando eu falo que há uma individualização de políticas públicas é porque estes projetos estão desconectados com projetos de mobilização social para a conquista do desenvolvimento equilibrado e igualitário. É muito importante a cooperação entre territórios, a cooperação entre movimentos sociais, a cooperação entre atores, o intercâmbio e a troca de experiências profissionais.


Como atingir a universalização do conhecimento através da comunicação?
A primeira condição é que os próprios canais, os meios de comunicação sejam públicos, para a socialização e universalização do conhecimento que não seja uma mercadoria. A idéia é que a cultura e a comunicação não sejam tratadas como uma indústria, não se rendam à lei do valor, à mercadoria. É preciso trocar a lógica da mercadoria por uma lógica de serviço público, de interesse público. Na prática, isso se faz através de políticas públicas, que por sua vez, não podem ser nacionais, mas sim supranacionais, a exemplo do Mercosul e União Européia. Deve ser feito um projeto de regulação transnacional, sem esquecer as especificidades locais, pois cada região tem que se voltar para sua tradição, seu modelo de desenvolvimento e necessidades sociais.

Quais as problemáticas e benefícios da introdução dos novos sistemas de informação e de comunicação no setor educativo?
Eu destacaria dois problemas. Um deles é de adaptação em nível de inovação tecnológica. Isso é uma problemática para o sistema educativo porque a tecnologia de ponta, mas avançada, é muito cara para um sistema público, com pouco financiamento. O segundo problema é que os sistemas formais de ensino de educação superior da universidade devem reformular seu modelo de organização, seu modelo institucional. Isso traz problemas porque são instituições tradicionais, muito resistentes a mudanças organizativas. Mas é preciso reorganizar porque as TIC’s implicam em mudanças das relações sociais, da relação professor-aluno, da relação entre pesquisador e comunidade. 

Como o senhor vê a relação entre as ações do Estado, das empresas privadas e das universidades?
A interação entre sistemas, ciência e tecnologia, sob o ponto de vista do desenvolvimento local, abre um debate para pensar como o pesquisador vincula seu trabalho com a comunidade, com a empresa, com o desenvolvimento territorial. Esse pensamento já tinha sido formulado nos anos 60, mas na década de 80, com a política neoliberal, foi abandonado. Agora, coloca-se novamente em discussão a relação entre desenvolvimento científico e desenvolvimento territorial. Em alguns lugares, tem sido criadas cidades do conhecimento, que integra o setor privado, universitário e público, os sistemas de ciência e tecnologias e demais atores sociais, como poderes públicos e movimentos sociais. A função é monitorar idéias e articular os vínculos. Na Espanha e União Européia, por exemplo, estamos pensando na agenda do século XXI, nas políticas culturais para o desenvolvimento local. Está muito avançada esta reflexão, mas os observatórios são escassos.

Mesmo com as tendências da rede global de informação e as contradições observadas com o discurso público liberal sobre a comunicação e democracia, o senhor acredita que se pode construir um novo modelo social de comunicação como cooperação produtiva?
É possível. O debate deve ser até 2010. Tem-se uma crítica da política pública para reformular os princípios da economia política liberal e das políticas funcionais ao capitalismo cognitivo. Por outro lado, é preciso fazer um trabalho de articulação social com as comunidades, com os cidadãos, para que sejam conscientes de como essas transformações da comunicação e do conhecimento afetam nas suas vidas, em seu cotidiano. É um trabalho de pedagogia política, pedagogia para a democracia. Vários pesquisadores chegaram à conclusão que o projeto de política de educação tem que ser para a cidadania, informação e conhecimento.

Por que a comunicação educativa é um campo estratégico para a configuração dos modelos de desenvolvimento regional?
Porque o capitalismo cognitivo depende diretamente da ciência e tecnologia. Mas é necessário haver mediação, que é a educação. A troca de conhecimento e pesquisa é uma questão positiva. Descobriu-se que a riqueza das nações depende do sujeito do trabalho, das comunidades, de sua cultura, de sua criatividade, o que os economistas ortodoxos denominavam ‘valor agregado’, da cultura de produção. Esses são os elementos que distinguem a produtividade de uma economia. A idéia central depende de como se qualifica a força de trabalho, como isso se reflete no desenvolvimento e como seriam as instâncias da ciência e tecnologia no desenvolvimento regional. É nesse processo que o papel da comunicação educativa é vital, pois promove a socialização das tecnologias da informação e a criatividade da inovação científica e tecnológica. Se os trabalhadores precisam das tecnologias da informação, deve-se educa-los sob as perspectivas de políticas públicas.

Com a globalização midiática e a conseqüente concentração dos setores da indústria cultural, acaba acontecendo um processo de reconstituição dos poderes públicos, em que o Estado cede às empresas privadas a função de administração dos serviços de interesses públicos. Quais são as alternativas de mudança da comunicação frente aos discursos liberais e qual o papel dos movimentos sociais nesse processo?
Do ponto das alternativas, nós que formamos a ULEPICC estamos trabalhando no que denominamos de agenda ULEPICC, agenda de políticas públicas, um dos objetivos fundamentais é a mudança da comunicação, partindo-se da idéia de que a comunicação é um direito humano, não uma mercadoria, e de que as políticas públicas sejam planejadas em escala global. Daí um debate importante do movimento CRIS, movimento pró direito da comunicação à sociedade da informação global. Nós da ULEPICC temos reforçado que é preciso uma mudança na comunicação com formulação de políticas públicas que não sejam planejadas em nível nacional, mas em nível supranacional. Por isso a ULEPICC é um coletivo latino, que engloba toda a América Latina, Espanha, Portugal, colegas latinos da França, Itália, Canadá, com essa missão global de que existe essa divisão internacional do trabalho cultural. Então se a cultura desses países deve posicionar-se de forma a construir políticas públicas em conjunto, políticas de cooperação internacional, se quer apurar o papel da comunicação e desenvolvimento. Os movimentos sociais também devem trabalhar politicamente a comunicação. O Fórum Social Mundial tem formulado políticas em matéria de comunicação, mas os movimentos sociais em geral, não trabalham com missões comunicativas dialógicas, participativas e democráticas, nem tampouco têm um discurso sobre o papel central da comunicação para subdivisão social e das lutas sociais. É necessário que os movimentos sociais sejam conscientes da comunicação e operem em escala regional e também em escala supranacional, com as políticas públicas dos Estados.

Em um dos seus artigos, o senhor diz que as forças políticas e sociais devem começar a definir políticas locais e regionais de comunicação. Como isso pode ser alcançado na América Latina e na União Européia, em que o livre fluxo de informação tem causado graves problemas, dentre eles a redução das taxas de produção local e dos espaços próprios de difusão audiovisual?
Evidentemente os poderes públicos locais, por si sós, não podem mudar as condições de desenvolvimento local ou regional. É preciso alianças interurbanas, inter-regionais, mas é preciso ter políticas locais porque hoje as políticas públicas são nacionais, mas não havia descentralização, e o capitalismo global obriga a descentralização. O Estado é mínimo e as esferas regionais têm papel central para fazer frente às mudanças das políticas neoliberais, às mudanças da competitividade industrial e econômica. É preciso ter uma política de comunicação e cultural para fazer estratégias inteligentes. Para se ter uma idéia, no período entre 2004 e 2006, não Europa, não houve políticas locais de comunicação nem tampouco políticas regionais. Na América Latina, pelo pouco que conheço, vê-se Estados muito centralizados. Não é o caso do Brasil, mas é o caso do México e do Chile. As entidades locais e regionais só querem competência apenas, competência para se chegar ao desenvolvimento territorial e que também formule políticas culturais para um equilíbrio e aproveitamento dos seus próprios recursos.

No caso da Internet, o problema é de brecha digital ou participação?
De participação, porque a brecha digital pressupõe que cidadão é usuário, consumidor de um bem que não é público, mas sim mercadoria. Então à indústria cultural interessa que a demanda cresça. A internet basicamente não é um problema. O importante é saber que papel tem esses cidadãos no planejamento da mudança tecnológica, da inovação tecnológica, dos usos das tecnologias da informação sobretudo para o desenvolvimento regional ou comunitário, que papel tem a produção de conteúdos, a organização dos sistemas de educação e informação e a geração do conhecimento. As políticas públicas nunca fomentam a participação. Entende-se a participação como acesso, como consumo, mas a participação deve ser vista como planejamento de desenvolvimento e de mudança social. A Unesco, quando fala de indicadores de acesso digital, está falando de participação, mas na prática não faz nenhuma política ou esforço ou projeto com participação do povo para articular comunitariamente conhecimento. As políticas de comunicação normalmente confundem acesso de informação com participação. O acesso se faz com políticas da brecha digital, diferentemente da participação, que implica aceso, formação, criação e autodeterminação, capacidade de controlar os próprios recursos, as próprias tecnologias, os próprios conhecimentos comunitários.

Como a rede de pesquisadores da ULEPICC está participando das formulações de políticas públicas para um modelo de desenvolvimento da comunicação?
Desde o ano 2000, a ULEPICC vem trabalhando com movimentos sociais, por exemplo, com o Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Na Espanha também estamos trabalhando com a plataforma de defesa da televisão pública, com as organizações sociais. Fazemos com que as pesquisas de economia política crítica e as propostas de políticas públicas democráticas de comunicação sejam debatidas com os movimentos sociais.

Quais as contribuições das suas investigações na área?
A mais importante é o livro que publiquei em 2006, “Políticas de Comunicación y Educación”, porque, tradicionalmente, quando os pesquisadores da pedagogia ou da comunicação pensam em comunicação educativa como missão política, como uma positiva utilização das novas tecnologias para a educação, para o ensino superior e educação básica, mas não é uma questão política. O primeiro estudo global, com um traçado histórico sobre as políticas públicas de convergência entre o setor educativo e comunicativo foi este estudo que publiquei. Essa é uma contribuição importante para mudar a visão dos educadores e dos comunicólogos que frente à sociedade do espetáculo, dependem da comunicação educativa para valorizar. Há uma economia da comunicação educativa, há uma mudança nesse setor educativo pelas indústrias culturais, as quais também têm interesse na comunicação educativa. Tiveram interesse na época da televisão educativa via satélite e agora com a internet e a tele-educação. Isso é um apanhado de economia crítica e das origens da comunicação educativa como intervenção interdisciplinar.

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