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22 de maio de 2012

“O Brasil precisa de uma reforma política”, afirma Majô

Colaboração,
por Brunara Ascêncio, Camila Franzoni, Lucas Gandia, Luciana Fraga, Odelmo Serrano 
Discentes do 7º Termo de Comunicação Social-Jornalismo da FAAC/Unesp


Majô foi secretária da Educação de Bauru em 2009
Maria José “Majô” Jandreice não é figura nova na cena política de Bauru. Ao se mudar para a cidade em 1983, passou a acompanhar de perto a política local. Majô já atuou como vereadora por quatro mandatos e foi secretária de Educação. Nesta entrevista, a atual presidente do PCdoB regional e coordenadora política de 20 municípios vizinhos faz um balanço histórico do movimento político de Bauru, da polêmica do financiamento de campanhas com dinheiro público e da importância da imprensa na atuação dos políticos. 

Quando o movimento político da cidade passou a agir de forma diferente dos governos anteriores?

No meu entendimento, em 1982 há um dos primeiros grandes movimentos políticos na cidade. Foi nesse ano que se elegeu o (Edison Bastos) Gasparini. Ele era um militante político e já tinha até sido preso. Posso dizer que ele rompeu com a tradição de outros prefeitos que eram muito ligados ao regime militar. Esse cenário eu começo a acompanhar mais de perto em 1983, porque até então eu morava fora, na região do Vale do Ribeira. 
O Gasparini morreu de câncer no primeiro ano de governo e entrou em cena o seu vice, o (José Gualberto) Tuga (Martins Angerami). Apesar de ter sido uma prefeitura de arrecadação muito pequena, foi possível visualizar um divisor de águas na cidade. É um novo momento, de aumento da participação política e de crescimento dos sindicatos. Além disso, tentou-se resolver algumas políticas públicas que até então não existiam. Foram construídas 13 unidades de saúde e 30 escolas municipais. A cidade viveu um boom de políticas públicas. E assim vai criando demanda, vai trazendo gente e também investimento. 

Qual foi o momento de maior tensão política de Bauru? 

Em 1997, no segundo mandato do (Antônio) Izzo Filho. Durante o segundo ano de governo, há uma grande crise na Câmara Municipal. Entre os anos de 1997 a 2000, nós não fizemos outra coisa a não ser Comissões Especiais de Inquérito e Comissões de Cassações. Nós chegamos a umas 12 ou 13 Comissões Especiais de Inquérito. Foi cassado um vereador e foi aberto um processo de cassação do prefeito. Ele foi cassado, voltou e foi cassado novamente. 
A crise política se instalou e, com isso, vieram problemas econômicos e de gestão política. Você tem um retraimento econômico porque é um momento de tensão política, então a iniciativa privada também se retrai. E o município tem uma arrecadação muito pequena. Você tem problemas e mais problemas na área da saúde, da educação, enfim... É um momento em que você não tem nada sendo produzido para a resolução desses problemas. Instalou-se um grande desânimo na população, um grande descrédito político porque, ao mesmo tempo em que há respostas da Câmara, das classes organizadas, também há passeatas, polícia e estudantes na rua. Foi um momento de muita participação política do povo, mas também houve grande turbulência. 

Como você analisa a atual conjuntura política de Bauru? 

O Rodrigo (Agostinho) vem como um jovem, mas que não dá conta de responder politicamente aos anseios e de resolver questões que ainda existem na cidade. Nós temos pouca interação de partidos como o PCdoB, PT e PSB, uma câmara acanhada e não vemos a participação popular na política municipal. Além disso, Bauru não consegue romper com questões de longa data, como a especulação imobiliária, a preservação do ambiente, a questão da terra urbana. Temos uma cidade de serviço, em que a população depende das políticas públicas, de cultura, desenvolvimento social, esporte. 
A cidade ainda está acanhada, mesmo considerando esse momento de rompimento político, ela está aquém do que ela poderia ser. Por outro lado, na atual gestão algumas questões foram retomadas, como a volta dos investimentos do governo federal, o desenvolvimento de uma série de projetos. O crescimento da cidade é inegável. 

A oposição tem se organizado para voltar ao governo nas próximas eleições municipais?

Vamos para um momento eleitoral em que há o decaimento das nossas forças, em que o governo está juntando os partidos da esquerda como PT, PCdoB e outros partidos como o PP e o PPS. É uma colcha de retalhos que não sei onde vai dar. E do outro lado o PSDB, que tem seu representante maior no Estado e que não tem candidato aqui. Vai ser praticamente uma eleição plebiscitária. É uma cidade de forças ocultas, que vem de alguns lugares e elas continuam dando as cartas, o que torna isso mais difícil de combater. Aí que me assusta. 
O Rodrigo não tem uma política de grupo. Nós ficamos preocupados porque pensamos que o PSDB não precisaria estar no governo para governar. No município, o partido não tem pessoas com poder de votos, mas me amedronta se isso não é uma diretriz ou uma decisão de que não precisaria estar dentro do governo para governar. 


Como você acha que se dá a relação da imprensa local com a política de Bauru? 


Se você fizer uma pesquisa de como se comportava a imprensa da cidade e como se comporta hoje, você vai perceber uma grande diferença. Antes eles faziam um jornalismo investigativo, denuncista, tinham um papel importante na política. Hoje em dia não existe muito essa preocupação. Parece que não tem muita disputa política, parece que está tudo bem e por isso vão-se levando as coisas do jeito que está. 

Em 2010, a imprensa se posicionou contrária ao projeto de lei que regulamentaria a abertura do comércio nos finais de semana. Qual a sua opinião referente ao projeto? 

A imprensa ajudou muito, cumpriu um papel muito importante. Essa questão do projeto do comércio tem uma série de implicações e isso vem sendo discutido na Câmara. Eles colocam a questão trabalhista e a questão legal. Do ponto legal a Câmara não pode legislar sobre isso, porque ela vai interferir num assunto que é de regra da iniciativa privada, das questões trabalhistas, existe a legislação trabalhista para isso. 
A Câmara pode politicamente debater, mas ela não pode decidir, e nem o prefeito pode dizer se o comércio vai abrir ou não no final de semana. Na minha época eles fizeram uma manifestação em frente à Câmara, o sindicato estava lá também, eles queriam o direito a ter dias de folga, de descanso. E a imprensa estava do lado deles, ajudaram nessa manifestação, colocaram o assunto para ser debatido e acho isso muito importante. 

Você já declarou que houve uma grande pressão da imprensa para tirá-la do governo. O que você quis dizer com isso? 

Foi no primeiro ano do governo do Rodrigo, a imprensa foi muito crítica, mas isso foi importante para ajudar a resolver algumas questões. Eu passei muito apertada com a imprensa, assim como outros. Apertada no sentido de a imprensa vasculhar a secretaria, querer saber sobre recessos, coisas administrativas. 
Foi muito difícil para mim porque eu estava na secretaria, mas havia pessoas que estavam com dúvidas em relação ao que eu estava fazendo lá, se eu fiz alguma besteira lá dentro. E para mim politicamente isso foi uma derrota, foi muito difícil porque naquele momento houve pedidos para troca de secretários. De qualquer modo, a imprensa ajudou a administração a mudar o tom do secretariado. Eu não sei por que, mas havia motivo para tirar uma pessoa. 
Isso é uma visão pessoal minha, mas eu acho que no primeiro ano do governo do Rodrigo a imprensa teve um comportamento de mostrar as dificuldades que havia na administração, já que todo mundo que assumiu esse governo tinha pouca experiência política e dificilmente dá-se importância à dificuldade que os eleitores têm, às suas denúncias. E a imprensa é quem dá respaldo às demandas da população, que precisa de um espaço para divulgar suas denúncias. 

Mas e a influência da imprensa para tirar alguém do cargo? 

Eu acho que agora o Rodrigo se firmou mais, mas no começo nós nos pautamos muito pela imprensa porque ela pauta os problemas da população, em muitos casos ela foi investigativa e eu acho que a gente passou a usar isso como referência. Quando a gente chegava, a primeira coisa que fazíamos era abrir o jornal. E acredito que isso é errado, que nós temos que ter a imprensa como aliada, mas não nos pautarmos somente nela. 

E quanto à questão de financiamento das campanhas políticas, você acredita que existe uma boa fiscalização? 

Hoje você tem leis rígidas de controle de doações das campanhas, os candidatos, os partidos tem que prestar contas de onde vem o dinheiro que usam nas campanhas. E hoje, qualquer pessoa tem acesso a esses documentos pela internet. Porque para uma campanha você precisa de recursos, então os candidatos podem ter doadores. Eu mesma tive alguns, eles diziam que acreditavam na minha política, se propuseram a ajudar, alguns deles não se importavam em ter seus nomes ligados à minha candidatura, mas outros não queriam ter seus nomes divulgados e isso tem que ser respeitado. Agora, também existem as pessoas e empresas que financiam as campanhas políticas com outros fins, buscando um retorno disso, o que não tem como controlarmos. 

E o financiamento público de campanha? 

Isso é um debate muito complexo, se você perguntar para qualquer cidadão brasileiro se ele é a favor ou contra o financiamento público, ele vai ser contra, vai dizer que não gostaria de financiar corruptos. Esse é um debate que teria de ser aberto à sociedade. Precisamos fazer uma reforma política, não só em Bauru, mas no Estado e no país. 

O vereador Roque Ferreira já disse que a mudança não vai ocorrer na Câmara, que lá é simplesmente um paliativo para verdadeiras mudanças. Você concorda com essa afirmação? 

O que o Roque disse é verdade. Dentro da Câmara não tem debate. Quem tenta fazer esse debate mesmo é praticamente só o Roque. O Marcelo Borges faz um pouco também, mas ainda é escasso. Não se discutem questões de política e administração mais aprofundadas. Discutem que asfaltaram uma rua, que tamparam buracos, construíram creches, uma escola, mas nós perdemos um pouco esse debate maior de política. 

Você acha que o Rodrigo Agostinho tem autonomia na cidade? 

Eu não acredito que o Rodrigo seja um fantoche. Ele é inteligente, determinado, tem objetivos. Ele é uma figura que não sai de um grupo político ou de um partido político, ele não tem isso. Quando se tem, você se fortalece com o partido, com as organizações, e às vezes você tem condições de ser mais forte em relação a certas questões.  O “Jornal da Cidade”, por exemplo, ajuda a nortear a política de Bauru, mas fantoche o prefeito não é. São coisas que não são totalmente claras, mas as coisas estão dando certo e têm melhorado. 

Muita gente ficou sem água por vários dias em abril e há deficiência no transporte público em alguns setores da cidade. Como você vê o governo em relação às políticas públicas? 

A gente tem problemas na cidade que não dá para colocar na cabeça do Agostinho uma faca e dizer ‘olha, você é responsável por tudo’. Bauru é uma cidade que tem investimentos, já teve melhorias, tem investimento em políticas públicas para manter o básico funcionando. Por exemplo, o caso do DAE (Departamento de Água e Esgoto). Houve sucateamento, a cidade cresceu muito rápido e não teve investimento em redes de água e esgoto. O custo da água em Bauru é muito baixo, quem vem de fora sabe. A cidade cresceu, o Rio Batalha secou, os poços tinham que ser perfurados e isso não foi sendo feito ao longo do tempo. 
Se há uma crise instaurada, se é premeditada, intencional ou não, eu não sei. Mas é de se questionar uma empresa que era, com todas as dificuldades, administrada de uma maneira melhor, ter cinco administradores diferentes em quatro anos. É uma gestão confusa. O tratamento de esgoto vai custar R$ 120 milhões e há interesses por trás disso. É o novo ouro das empreiteiras. Há quinze anos eram os viadutos, hoje é o saneamento básico, não só em Bauru, mas no Brasil. Essa é uma discussão que temos que ter com o Rodrigo. Por outro lado, há o papel da imprensa. Por que não divulgam? Houve o caso de um homem que foi tomar banho numa fonte de uma praça por estar sem água em casa. Você ouviu no rádio? Todos ficaram sabendo? E esse é um caso muito sério, pode chegar a um colapso. 

Voltando às próximas eleições, em um primeiro momento foram lançadas três candidaturas, a do PSDB, a do PV e a do DEM. A do PSDB já foi cortada, então ficaram a Chiara Ranieri, do DEM, e o Clodoaldo Gazzetta, do PV. Quais são as suas perspectivas? 

Há uma tentativa para não haver vitória no primeiro turno. Se isso acontece, um grupo sai fortalecido. Então há uma tentativa de sobrevivência por parte dos outros grupos. Fazem uma campanha para garantir dois turnos e nesse processo há chance de pessoas se fortalecerem, de se construir lideranças que venham a disputar algum cargo futuramente. Se o Rodrigo Agostinho for reeleito, daqui a quatro anos o quadro terá que mudar, e é aí que está a importância de se consolidar agora. 

Há uma busca por um perfil de candidatos mais jovens em Bauru? 

Isso ocorre, não só em Bauru. Os nossos partidos têm conseguido renovar muito pouco a liderança. Por outro lado, nós temos também um segmento da população que não vota pelo partido, vota pelas pessoas. E tem também os políticos profissionais. Nem sempre renovação significa votar em pessoas jovens, mas sim uma troca. E na Câmara já ocorreu isso. Agora não se escuta tanto o sentimento da renovação, porque falta liderança por parte dos partidos. E então o Rodrigo vem nessa pasta nova, assim como a Chiara, que tem uma herança política familiar, mas que se lançou há pouco tempo. E há também o Gazzetta, que já disputou duas eleições. 
Me assusto quando eu penso que não dá para ficar só no partido que elegeu o Agostinho, mas me assusta ainda mais quando eu vejo essa salada que vai se formar em torno da candidatura dele. E estão escolhendo o lado que for mais forte, tanto que há quem larga o próprio partido para apoiar o Rodrigo. Como que a gente mistura alhos e bugalhos num balaio só? É preciso muita habilidade política para poder governar assim. E o Rodrigo tem toda essa habilidade para dar conta do balaio que ele formou. 

E quanto ao papel da mulher na política, houve melhora nas condições de atuação? 

Eu fui a primeira mulher no poder em Bauru, foi aquele momento em que a gente tinha que aprender a conviver com os homens. Nós criamos dois comitês, um pela mulher trabalhadora e outro pelo direito ao voto. E a situação está muito ruim, não avança. Depois de mim, teve outra vereadora e agora tem a Chiara. Quer dizer, de 1992 até agora nós tivemos a participação de três mulheres na Câmara. E dentro dos partidos cada vez mais a gente tem um refluxo no número de mulheres. Mesmo que haja um bom número disputando a eleição, elas não têm chance de se eleger. 
Por mais que a gente tenha esse movimento, no Brasil inteiro isso avançou muito pouco. Apenas 12% do Parlamento, 9% no Legislativo e tudo isso com a presidente Dilma Rousseff. Então ainda está muito ruim a nossa participação e muitas mulheres não têm força política em movimentos ou no partido, e assim você não tem como ter voto. E a mulher já tem um descrédito na política, desde a Constituição histórica do Vargas. 
E isso porque há uma cota de mulheres por partido, imagina se não houvesse essa cota. Ainda é muito pequeno o número de partidos que busca no dia-a-dia incentivar a participação feminina. Mas o programa eleitoral é masculino, não tem financiamento para a mulher, e os partidos não compreendem a importância disso, a sociedade não compreende. 

Maria José “Majô” Jandreice, 59 anos, ex-vereadora e ex-secretária da 
Educação de Bauru e atual presidente do PCdoB regional. 

3 de maio de 2012

Professor da Unesp assume diretoria regional do Sindicato dos Jornalistas de SP

Da Redação SICOM PET,
por Beatriz Haga

O professor do Departamento de Comunicação Social da Unesp, Ângelo Sottovia,  assumiu o cargo de Diretor Regional de Bauru do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP). As eleições aconteceram entre os dias 27 e 29 de março e a apuração aconteceu no dia 30. 

A Chapa 1 - Sindicato Forte, Unidade e Luta, presidida por José Augusto Camargo, venceu com 56,26% dos votos a Chapa 2 – Renovar pra Mudar, Sindicato é Pra Lutar!, encabeçada por Bia Barbosa. A posse da nova diretoria aconteceu no dia 16 de abril, um dia depois da comemoração dos 75 anos de existência da entidade sindical. O tempo de mandato é de três anos.

O SJSP é responsável por ações em defesa dos jornalistas, contribuindo para que se garanta o direito dos profissionais. Um dos papéis do sindicato é acompanhar as contratações, demissões e rescisões de contrato dos jornalistas que solicitarem sua participação em qualquer entidade ou veículo comunicacional.

A repórter Beatriz Haga fez uma entrevista com o professor para o SICOM PET. Confira abaixo:

SICOM – Quais são as ações do sindicato e sua importância para os profissionais?
A.Sottovia – Os jornalistas sempre estão presentes em lutas sociais por meio do sindicato. Todo ano nossa data base de reajuste salarial é no dia 1º de julho. Um mês antes, o sindicato já manda para os patrões, donos de empresas jornalísticas, uma porcentagem de aumento reivindicada pelos jornalistas. Somente a partir do acordo trabalhista é que se define de quanto será o aumento salarial da categoria. Assim, o sindicato participa ativamente da valorização do profissional e do plano de carreira.

SICOM – Como é a relação do sindicato com os associados? 
A.Sottovia – O sindicato tem a missão de ouvi-los para saber o que lhes interessa em termos de convênio: odontológico, plano de saúde, colônia de férias e etc. O que aconteceu nos últimos dois mandatos aqui na Regional de Bauru e região foi a falta de diálogo entre o sindicato e os jornalistas. Eu posso dizer que alguns jornalistas não gostam do sindicato, pois a diretoria não esteve presente em nada. 

SICOM – E quais são suas metas agora que você assumiu a diretoria? 
A.Sottovia – Nós queremos mostrar o quanto o sindicato pode e deve fazer com as contribuições e aumentar o número de sindicalizados. Inclusive queremos tentar uma pré-sindicalização dos estudantes de jornalismo, para que formemos uma massa crítica grande e tenhamos força de negociação. Se não houver o sindicato as empresas não pagam e esquecem que ficaram devendo. 

SICOM– Como funcionam as chapas no sindicato? São limitadas a duas? 
A. Sottovia – Esse ano foram somente duas, mas podem ser abertas quantas quiserem. A nossa foi eleita, mas aqui em Bauru quem ganhou foi a outra chapa. O que eu quero fazer agora é me reunir com o Rafael Tadashi, que estava concorrendo a diretor regional de Bauru pela Chapa 2, para atuarmos juntos por interesses comuns. Nós não ganhamos nada, é um trabalho feito para o coletivo. 

SICOM – Quais foram as principais propostas da Chapa 1 na campanha de 2012? 
A.Sottovia – Nós fizemos campanha forte de atuação. Na nossa chapa, uma das primeiras coisas que queremos é fazer a reaproximação entre categoria e sindicato e depois a unificação do piso salarial para que o piso do interior seja igual ao de São Paulo. O trabalho é o mesmo, as horas e atividades são as mesmas. Queremos achar um jeito para que os donos de jornais, TVs e rádios do interior paguem o mesmo que na capital. Outra coisa muito séria é a questão do banco de horas. Os administradores das empresas reduzem os funcionários para não pagar uma maior quantidade de salários e sobrecarregam os que ficam. O que acontece é que os jornalistas tem contrato de sete horas por dia, mas acabam fazendo até dez. As horas extras vão se somando e quando chegam no limite de cinco dias a empresa tem que pagar ou dar os dias de folga, e elas não estão cumprindo isso. O profissional tem medo de ser demitido por cobrar suas horas extras e continuam a ser explorados. Nós estamos negociando com um veículo de comunicação aqui da cidade a questão do banco de horas, mas está difícil sair um acordo.

SICOM – A diretoria pensa em se reunir com não associados para falar das ações do sindicato e das reivindicações dos jornalistas?
A.Sottovia –
Nunca houve reunião e nós prometemos na campanha fazer uma reunião mensal aberta a sindicalizados e a não sindicalizados, e a estudantes de jornalismo também. Queremos ter noção do que fazer regionalmente e que a categoria se sinta representada, porque o que ela propôs e aprovou em assembleia é colocado em votação.

21 de abril de 2012

SICOM PET entrevista Lourenço Mutarelli

Da Redação SICOM PET,
Entrevista: Beatriz Haga

Na próxima terça-feira (24 de maio), o Grupo PET-RTV recebe a visita de Lourenço Mutarelli Jr. para o II Cine PET 2012 com a exibição do filme "O Natimorto".

O paulistano Mutarelli (1964) é escritor, artista gráfico, roteirista e ator. O início de sua carreira não foi nada fácil. Ele era considerado um peixe fora d'água no mercado editorial dos anos 80, enquanto nomes como Angeli, Glauco e Laerte consolidavam a carreira. Enquanto trabalhava nos estúdios Maurício de Souza, o quadrinista escritor publicou seu primeiro zine em 1988. Com a ajuda e influencia do quadrinista Marcatti, a obra do autor começou a aparecer em algumas revistas da época.

Em 1991 publi­cou seu pri­meiro álbum de qua­dri­nhos com o título de Transubstanciação
Mutarelli marcou sua estréia na literatura com o romance 'O cheiro do ralo', de 2002, roteiro adaptado por Marçal Aquino para um longa filmado por Heitor Dhalia, em 2007. Logo em seguida, escreve 'O natimorto: Um musical silencioso', adaptado para o cinema por Paulo Machline, em 2009, e para o teatro por Mario Bertolloto.

Leia a entrevista com o escritor realizada pela repórter Beatriz Brandão Haga para o SICOM PET:

SICOM: Qual a sua relação dos Quadrinhos com a criação dos personagens?
L. Mutarelli: Tem muita história minha que nasce do próprio personagem. Pensando em um personagem, eu vejo um contexto. Nos quadrinhos acontecia muito isso: pensava no personagem e só depois eu tentava pensar na sua história.

SICOM: Seus HQs sempre foram em preto e branco e só na Revista Cyber Comics eles recebem cor. Isso foi uma escolha sua ou um pedido da Revista?
L. Mutarelli: Foi um pedido da Revista, até mesmo pelo fato de ser uma publicação virtual, para a Internet. Sim, comecei com o preto e branco, mas, recentemente, tenho trabalho muito mais com cor.



SICOM: Depois de um papel no "O Cheiro do Ralo", você volta às telonas protagonizando "O Natomorto", coincidentemente seu segundo livro a virar roteiro de cinema. Como foi a experiência do Mutarelli protagonista?
L. Mutarelli:Foi um processo muito interessante e difícil. Foi mais difícil pelo fato de eles pensarem que eu tinha todo o texto decorado, mas não era verdade. Eu já tinha feito outros curta metragens também, mas foi um processo muito complicado. "O Natimorto" conta a história de um rapaz que foi criado por uma tia que lia o tarô. Quando começam a sair as imagens de advertência nos maços de cigarro, ele achava que isso tem alguma relação, como se o dia dependesse da imagem que encontrasse ali. A história se aprofunda em outras questões, mas esse seria o mote principal.

SICOM: Na adaptação para o cinema, você acha que o livro perdeu muito conteúdo?
L. Mutarelli: Eu acho que são coisas distintas. Até agora eu gosto do resultado que foi feito. "O Natimorto" é mais difícil para mim, até mesmo porque eu estou lá e o senso crítico é bem maior. É uma adaptação, são linguagens diferentes, mas o principal está representado lá.




Você estava sempre no set de gravação, até mesmo por ser o protagonista. Você, como escritor da obra, em algum momento deu alguma sugestão, algum toque para o diretor Paulo Machline?
L. Mutarelli: Eu ficava mais tentando entender aonde ele queria chegar. Eu apenas fiz comentários no roteiro, comentário mais positivos do que para alguma mudança. Algumas eles até acolheram.
Durante a filmagem, apenas opinava como ator e não como autor.

O que você acha da iniciativa de Projetos, como Cine PET, que propõem a exibição e discussão de filmes nacionais?
L. Mutarelli: É uma atitude muito interessante. Para nós é sempre válido ter este diálogo e saber como o produto está sendo recebido.

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Assista também à entrevista de Lourenço Mutarelli para o Provocações, programa da TV Cultura:

Bloco 1:

Bloco 2:


Bloco 3:

26 de março de 2012

Entrevista com Flávio Queiroz

Da Redação SICOM PET, por Gabriela Ferri


A equipe do SICOM PET entrevistou essa semana o 2º Assistente de Direção do filme Quarta B, Flávio Almino Queiroz. A conversa mostra um pouco do que será discutido no Cine PET dessa terça-feira, 27/03.

SICOM PET - Como ficou sabendo da produção do filme Quarta B? Já havia lido o roteiro antes?
Flávio Queiroz - Eu sou amigo do Joel Lopes, Diretor de Fotografia do filme, ele me falou sobre a ideia, disse que estavam precisando de pessoas para ajudar na produção e perguntou se eu me interessava. Não tinha lido o roteiro, mas ele me contou mais ou menos o enredo e falou sobre o conceito. Fui apresentado ao Marcelo e a equipe do filme já no estúdio no dia do pré-light, dois dias antes do primeiro dia de filmagem.

SICOM PET - O quanto foi importante para você participar da produção do filme?
Flávio Queiroz - Sem dúvida, foi uma experiência maravilhosa. Já havia feito cinema da forma convencional, mas no caso do Quarta B, o que mais me cativou foi o conceito, pois não apenas produzimos um longa em seis dias, como geramos mais material bruto do que a grande maioria dos filmes.

S - Como foi trabalhar com Marcelo Galvão? Vocês ainda mantêm contato?
F - Para mim foi o grande presente dessa história. Claro que tudo que eu estou falando aqui sobre conceito é importante, mas nada disso teria o mesmo peso sem a gerência do Marcelo. O mundo é muito cheio de teorias e algumas pessoas acabam idealizando essas teorias, o Marcelo é uma dessas pessoas que vai lá e faz. Além de ser um ser humano fantástico, que sempre se preocupa com os amigos. Desde o Quarta B nos tornamos amigos e temos feito muitos trabalhos juntos.

S - Ouvi dizer que durante as gravações o set foi invadido pela polícia, por causa de uma denuncia dos moradores da região. Como foi a reação de vocês da produção?
F - Na hora foi complicado, não sabíamos o que fazer. Todo mundo tentava resolver a situação ao mesmo tempo e a coisa passou a ficar sem comando, virou gritaria, gerou uma perda de tempo, coisa que a gente já não tinha muito para perder. Mas, no final de tudo, diria que esse fato não influenciou negativamente em nada e talvez até tenha ajudado. Se levarmos em consideração, que por causa disso, acabamos dublando partes do filme que não estavam previstas e isso ajudou bastante na montagem, além da divulgação espontânea.

S - O filme é conhecido por sua produção com baixo orçamento, o que isso influenciou nos 6 dias de filmagem?
F - Tudo foi influenciado pelo orçamento que inclusive mudou a ordem das coisas, pois normalmente se tem um roteiro e viabiliza-se o mesmo, no caso do Quarta B, o próprio roteiro foi criado em função do orçamento. Como o próprio Marcelo sempre diz, “escreva um roteiro que caiba dentro do seu orçamento” e foi isso que ele fez. Então eu diria que os 6 dias de filmagem fizeram parte da fórmula para que tudo isso se concretizasse, juntamente com outros fatores, o formato de captação escolhido foi o Mini DV, o que barateou bastante, os atores tinham ensaiado tudo e tínhamos 2 ou 3 câmeras quase que em tempo integral possibilitando uma agilidade e dando mais mobilidade na hora de gravar, toda a equipe e os atores foram sócios do filme, tornando o assim um risco coletivo.

S - Em relação ao cinema brasileiro, pensando como um espectador, em sua opinião, quais as produções nacionais mais importantes?
F - É difícil mencionar trabalhos específicos, tendo em vista que muitos tiveram papéis importantíssimos, e seria injusto citar apenas alguns. Em minha opinião, o Brasil já provou que tem potencial e o que temos visto ultimamente nas telas só comprova essa capacidade. Se fizermos uma comparação com o os EUA que é a indústria cinematográfica mais em evidência, eu acho que proporcionalmente, desde o começo do cinema, temos tido produções melhores se levarmos em consideração em cada época, o dinheiro investido e o número de produções concluídas que fizeram sucesso. 

S - O que falta para as produções brasileiras atraírem mais a atenção dos patrocinadores?
F - Essa é a pergunta de 1 milhão de dólares. Todo mundo quer saber isso. Acredito que estamos caminhando para isso, gostaria que tudo fosse mais rápido, mas se olharmos para trás, iremos perceber que já andamos um bocado.

S - Com 16 anos de experiência em produções audiovisuais, qual seria um bom conselho para quem esta começando agora na área?
F - Fazer, fazer e fazer. Em minha opinião, a melhor maneira de aprender é fazendo. Não interessa a sua função ou o tamanho do trabalho. Na nossa área, quanto mais se treina melhor sai o próximo resultado. Vejam os exemplos: Fernando Meireles, Valter Sales, o próprio Marcelo, muitas pessoas acham que o sucesso deles veio da publicidade, acredito que o sucesso deles veio porque a publicidade faz com que você treine muito no dia a dia.

10 de janeiro de 2012

A jornalista ressalta a necessidade da interação entre 
profissionais de diferentes áreas (Foto: Renato Velasco)

Jornalista e professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Yvana Fechine é especialista em mídias digitais. Autora de um artigo sobre o tema, publicado no livro “Estudos de Televisão – Diálogos Brasil-Portugal” (Editora Sulina, 2011, com selo do Globo Universidade), a pesquisadora conversou com o Globo Universidade sobre os avanços e desafios relativos à implementação da TV digital no Brasil.

Globo Universidade - Além de atuar na academia como professora e pesquisadora, você já trabalhou em diversas empresas de comunicação. A experiência prática complementa a parte teórica das suas pesquisas atuais? De que maneira isso contribui para o seu trabalho?

Yvana Fechine - Essa experiência prática sempre influenciou, direta ou indiretamente, o meu olhar de pesquisadora, despertando o meu interesse em torno de certos objetos e problemas de pesquisa. Não por acaso, todos os meus trabalhos, desde que me dediquei à vida acadêmica, possuem um lastro muito claro na instância da produção e costumam aliar a reflexão crítico-teórica com uma preocupação propositiva. Tenho tentado também cultivar uma interlocução frequente com os profissionais de Comunicação, pois acredito que, embora existam ainda reservas de ambas as partes, a aproximação entre o mercado e a academia pode ser muito produtiva.

GU – Em artigo publicado no livro Estudos de Televisão, você problematiza a TV digital. A seu ver, como está a produção de pesquisas sobre este tema atualmente?

YF - Considero que, de modo geral, as pesquisas sobre esse tema na Comunicação são ainda muito poucas diante da sua importância. Os primeiros estudos sobre TV digital concentraram-se no campo da Economia Política da Comunicação, subárea na qual permanecem, ainda hoje, predominantes e com produção mais regular.

GU - No seu artigo, você fala sobre multiprogramação. Pode explicar melhor o que é isso?

YF - Com a tecnologia analógica, cada concessionário pode transmitir apenas um conteúdo audiovisual na banda de 6MHz disponível no espectro para cada canal de televisão. Na tecnologia digital, a mesma banda de 6MHz pode transmitir múltiplos fluxos informacionais audiovisuais. É o que chamamos de multiprogramação. Um canal de TV analógica terrestre, quando digitalizado, oferece uma largura de banda de, aproximadamente, 20 Mbps (Megabits por segundo). No SBTVD-T, a banda é composta por 13 segmentos de transmissão, sendo um deles reservado para dispositivos móveis e portáteis, o chamado 1-seg. Restam doze segmentos por meios dos quais pode ocorrer a transmissão dos dados de áudio e vídeo em combinações flexíveis. Por serem flexíveis, os segmentos de transmissão podem ser arranjados em um fluxo informacional principal, que denomino “canal principal”, bem como em fluxos informacionais secundários, que denomino “subcanais”. O desafio, a meu ver, é aproveitar esses múltiplos fluxos informacionais para oferecer mais conteúdo ao espectador, quer seja na forma de outra programação, quer seja aproveitando os fluxos informacionais secundários para oferecer conteúdo articulado com a grade de programação.

A jornalista ressalta a necessidade da interação entre 
profissionais de diferentes áreas (Foto: Renato Velasco)

GU – No seu artigo, você aponta a necessidade da interação entre profissionais e pesquisadores de Comunicação e de Tecnologia. Pode explicar melhor de que modo a interdisciplinaridade contribui para a qualidade da TV digital?

YF - A necessidade de uma interlocução de caráter mais interdisciplinar aparece, sobretudo, na produção de conteúdos inovadores. A TV, agora, é também um computador, e não há como propor formatos interativos integrados sem o desenvolvimento de softwares (aplicativos). Se os produtores de Comunicação e os profissionais de Informática, bem como os pesquisadores das duas áreas, trabalharem juntos em projetos que explorem formatos interativos e colaborativos, poderemos desenvolver protótipos capazes de pressionar os atuais modelos de negócios, forçando avanços em direção, de fato, a formas de convergência.

GU – Na sua opinião, quais foram as principais mudanças implementadas pela digitalização da TV no Brasil?

YF - Infelizmente, com exceção da imagem em alta definição, são poucas as mudanças usufruídas pelo grande público que observamos até aqui. Sem a disposição para discutir – e eventualmente rever – questões espinhosas, que envolvem das políticas de comunicação aos modelos de negócios, será muito difícil a experimentação de formas e formatos que tirem proveito, por exemplo, de potencialidades técnico-expressivas da TV digital. Os experimentos com a interatividade são ainda muito tímidos, sem atrativos e pouco difundidos. Além disso, a multiprogramação, outra propriedade da TV digital capaz de estimular a diversidade da produção e abrir excelentes portas para experimentação com conteúdos adicionais, ainda não está ao alcance do público e carece de um debate amplo e qualificado.

GU – Quais são as principais diferenças entre os processos de digitalização da TV no Brasil e na Europa/Estados Unidos?

YF - O processo brasileiro de implantação da TV digital foi marcado por muitas críticas quanto ao conservadorismo do Governo em suas escolhas e decisões estratégicas que pareceram, à época, atender mais ao desejo dos radiodifusores de “mudar sem mudar”, ou seja, sem alterar as regras ou o sistema de distribuição dos canais de difusão nem o modelo de negócios das emissoras. A despeito dessas críticas, não se pode negar que, tecnologicamente, o modelo de TV digital adotado no Brasil é um dos mais avançados do mundo. Trata-se de um sistema que integra elementos do padrão japonês, sobretudo nos aspectos de modulação, mas que possui um maior poder de compressão dos dados e um middleware (software instalado nos conversores e televisores digitais sobre o qual as aplicações interativas são executadas) inovador, o Ginga. No Brasil, o formato de compressão adotado é o MPEG-4 AVC/H.264, que é mais eficiente em termos de compactação e compressão dos dados do que o MPEG-2, adotado em outros países, o que nos permite enviar mais informações (conteúdos) em uma mesma faixa de transmissão. Para se ter uma ideia mais concreta, com a tecnologia de compressão adotada na TV digital brasileira, é possível transmitir até dois programas em alta definição (HDTV), simultaneamente, ou, se for a preferência, um programa em HDTV e pelo menos dois outros em definição padrão (SDTV). Com o formato de compressão MPEG-2 é possível transmitir apenas um programa em alta definição.

GU - Pode citar alguma experiência de novo gênero ou formato bem sucedido na televisão digital?

YF - Proponho considerar que um “formato bem sucedido na TV digital” é aquele que foi criado ou pensado para tirar proveito das potencialidades técnico-expressivas da TV digital, que são, principalmente, a alta definição, a multiprogramação, a interatividade e a mobilidade. Infelizmente, não considero que há, de fato, um formato realmente inovador e bem sucedido explorando tudo isso. Programas jornalísticos e transmissões esportivas têm explorado, ainda que de modo limitado, recursos interativos para disponibilização de conteúdos adicionais, sobretudo. Um formato, porém, que merece nossa atenção, até porque já surge com vocação para a convergência, é o reality show Big Brother Brasil. Embora sua interatividade não seja direta, isto é, não se pode votar nem interagir a partir da própria TV, não há dúvidas de que o programa já surgiu como um formato multiplataforma e é um legítimo exemplo da convergência propiciada pela digitalização dos meios. É um formato que consegue compatibilizar, por exemplo, a lógica do fluxo – na TV aberta – com a lógica da demanda – nos canais pagos e na Internet. O programa também articula um agenciamento interativo com um conteúdo compartilhado massivamente, integrando formas de participação individual em atividades coletivas. No Big Brother Brasil, o espectador interage individualmente, mas, no final, compartilha um repertório coletivo. O reality show também permite diferentes níveis de envolvimento, o que é muito favorável nesse momento de transição que vivemos, no qual a TV distribui seus conteúdos em outras plataformas. O espectador pode se envolver ativamente, através de votações, blogs, redes sociais, mas pode também apenas assistir à “novelinha” na TV aberta.

GU – A seu ver, quais são as potencialidades da TV digital ainda pouco exploradas no Brasil ?

YF - Como já mencionei antes, a interatividade e a multiprogramação me parecem propriedades técnico-expressivas da TV digital capazes de qualificá-la e, por isso, deveriam ser objeto de maior atenção, interesse e experimentação, mesmo que laboratorial. Ainda que não haja, em função de uma série de dificuldades (como a regulação e os modelos de negócios) um horizonte de implementação tão claro e imediato, pois o tempo de pensar o amanhã é hoje.

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