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5 de agosto de 2012

e-Colab na Unesp é mais e-Colab


Cultura de Bauru passa a fazer parte dos projetos de extensão da Unesp
por Gabriela Ferri

O Blog de Cobertura Colaborativa de Bauru (e-Colab) se reúne na próxima quarta-feira (08) às 17 horas na sala PET, para apresentar aos alunos da Unesp seu projeto e a proposta do grupo. O e-Colab existe há dois anos e agora entra como projeto de extensão da Unesp.
O desafio é crescer no cenário sociocultural do município com o apoio da Unesp.  “Queremos convocar gente para escrever, planejar, criar, fotografar, filmar. Queremos contadores de histórias, que tenham personagens da cidade, gente que faz cultura, que se emociona, que não é visto e de gente que quer ser visto”, afirmam os responsáveis pelo projeto.

e-Colab + Unesp. Por quê?

A partir do segundo semestre desse ano o projeto se tornou um projeto de extensão da Unesp. Para os “defensores da liberdade editorial dos blogs independentes” essa parceria pode gerar conflitos.  A esses, parece que ao entrar como algo da universidade o desvirtuamento do projeto já é certeza, quando a subversão deve seguir sentido contrário, de fora pra dentro.
O e-Colab entra na Unesp devido ao seu potencial reconhecido (vide contemplação sobre Lei de Estímulo do município) e, única e exclusivamente para não mudar seu estilo, sua liberdade, sua essência que o projeto sempre teve. Com a extensão, o blog terá longevidade, terá futuro, terá maiores recursos e sem necessariamente modificar seu modo de ser.

Não conhece o e-Colab?

Muitos projetos da universidade incentivam a formação dos alunos, mas poucos acrescentam para a rotina da comunidade, que paga seus impostos e sustenta a faculdade. 
O e-Colab não tem em sua plenitude essa qualidade, mas é o seu maior propósito. Com quase dois anos de existência (completados em setembro) o blog teve como objetivo acompanhar a cultura alternativa bauruense através de coberturas multimídias.
No início como projeto interno do Enxame Coletivo o projeto cobriu festivais, manifestações e shows, sempre tentando pluralizar os pontos de vista, seja nas pautas ou nas abordagens nas coberturas. Em meados do ano passado, o e-Colab, por meio de sua lista de colaboradores, decidiu que deveria abranger mais as pautas e se tornar um blog independente, agora não mais dentro do Enxame Coletivo. 
Assim, trata-se de um blog de coberturas que busca um conteúdo próprio, sem depender apenas de eventos. As pautas buscam sempre cobrir questões de movimentos sócio-culturais subalternos, não hegemônicos, que tenham pouca visibilidade na cidade. É encarando esse difícil desafio que o e-Colab entra na Unesp: querendo crescer dentro e fora da universidade.



1 de junho de 2012

Doc. de animação: a subjetividade para mostrar o real

Por Renan Simão em
matéria originalmente publicada no blog e-Colab

Antes de começar esse texto, copio uma frase do jornalista e documentarista Bruno Natal sobre documentários:

“… porque documentário não um gênero, é uma linguagem.”


Posto isso, vamos ao texto.


Na última terça-feira, durante a Semana de Rádio e Tv da Unesp, foi realizada a palestra: “A expansão do cinema documentário: novas relações entre documentário e ficção” ministrada por Jenifer Serra, na sala 1 da FAAC. Não se atendo ao título genérico da palestra, Jenifer, formada em Produção Cultural e mestranda do programa Multimeios da Unicamp, aprofundou-se por um gênero de documentário: o de animação.

Formato caro ao cinema documental contemporâneo, o documentário de animação se tornou famoso em dois filmes: Valsa com Bashir (2008), Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e Ryan (2004), vencedor do Oscar de animação. Tais produções têm em comum o fato utilizarem a animação para contar uma história real. Sim, a realidade pode ser representada de forma subjetiva e mostrar aspectos que o documentário objetivo não pode atingir. Esse foi o ponto da palestra.

Definições, Magritte e Ryan
Para delimitar seu campo de atuação Jenifer diz que o documentário é o cinema “que busca interrogar o real, o mundo histórico”. Também fala que a animação aparece “tradicionalmente como imaginativa, irreal”, mas utiliza recursos do cinema clássico para contar uma história. Por fim, define o documentário de animação: “linguagem que usa a representação subjetiva [persongens animados, bonecos, etc.] para mostrar temas, aspectos, histórias e sentimentos objetivos”.

René Magritte, pintor surrealista que confundiu os limites entre realidade e ficção, mostrava que tudo é representação: realidade e subjetividade caminham juntas. Um quadro, um texto ou um documentário são representações da realidade, sendo assim, impedidas de mostrar o real como um todo. Se não podemos mostrar a realidade como seu todo num documentário clássico, porque não lançar mão de recursos subjetivos da animação para representar aspectos objetivos que são impossíveis de se ver num filme convencional? Esse é o alvo do documentário de animação.

Como exemplo da discussão, Jenifer exibiu o curta-documentário de animação Ryan, com direção de Chris Landreth, de 2004. O filme faz uso de esquetes, pintura e animação 3D para contar a história real de Ryan Larkin. Larkin, um talentoso animador canadense que nos anos 80 criou peças de animação inovadoras de grande influência na produção de filmes de seu país sofreu com o fracasso profissional e 30 anos depois era facilmente encontrado morando nas ruas de Montreal devido ao vício em álcool e cocaína. Por meio de entrevistas e depoimentos verídicos, a animação conta a trajetória de Ryan, dialogando com seus amores, amigos, crises de criatividade, vícios e pobreza.

Mas o detalhe mais impressionante do curta é a representação dos personagens. Desfigurações do rosto mostram a degradação moral, demonstrações de raiva são tentáculos vermelhos que saem do cérebro e contornos roxos sobre o rosto lembram o amor dos entrevistados animados. “A imagem vista na tela é fruto das impressões coletadas nas entrevistas. Os detalhes dos corpos e expressões são subjetivos sim, mas tem profunda ligação objetiva com a história real”, observa Jenifer. Ela ainda conta que essa aproximação de realidade fantástica é chamada por pesquisadores de psicorrealismo.

Com convicção, a mestranda afirma que o documentário de animação deve ter uma leitura documentalizante, não se atendo à imaginação somente, e que “animação pode ser subjetiva mas tem compromisso sobre o real".

Agora, lembrando da frase do Bruno Natal lá de cima, realmente o documentário pode transitar por vários gêneros devido à sua linguagem abrangente e não se prender ao seu rótulo limitador de objetivo.

Veja na íntegra o curta-metragem Ryan:


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